Trump diz que sua "própria moralidade" é o único limite para seu poder global

Em entrevista ao *The New York Times*, presidente afirma que não precisa do direito internacional, mas reconhece que seu governo deve respeitá-lo

Por Lara Barth

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que sua “própria moralidade” é o principal — e praticamente único — fator que limita o alcance de seu poder no cenário global. A declaração foi dada em uma entrevista ampla ao jornal The New York Times, publicada na quinta-feira (8).

Questionado sobre quais seriam os limites de seu poder internacional, Trump respondeu: “Sim, existe uma coisa: a minha própria moralidade. A minha própria mente. É a única coisa que pode me parar”. Em seguida, acrescentou que não precisa do direito internacional. “Eu não preciso de leis internacionais. Não estou procurando machucar pessoas”, disse.

Apesar disso, Trump reconheceu que sua administração, como um todo, ainda precisa respeitar normas internacionais, embora tenha relativizado o conceito. “Depende do que você define como direito internacional”, afirmou.

As declarações refletem a visão de mundo do presidente em meio a uma série de decisões recentes que geraram repercussão global. A entrevista foi concedida poucos dias após uma operação militar dos EUA na Venezuela que resultou na captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, ambos acusados de crimes federais, como conspiração para narcoterrorismo e tráfico de drogas.

Trump também voltou a chamar atenção internacional ao discutir, junto a seus assessores, “uma série de opções” para adquirir a Groenlândia, incluindo o uso das Forças Armadas, segundo confirmou a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt.

Além disso, o presidente tem criticado a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Em publicação recente nas redes sociais, afirmou que os EUA “sempre estarão lá pela Otan”, mas disse duvidar que a aliança faria o mesmo caso os americanos realmente precisassem de apoio.

Na quarta-feira, Trump ainda assinou um memorando determinando a saída dos Estados Unidos de 66 organizações internacionais, incluindo entidades ligadas à ONU, sob a justificativa de que esses programas não atendem mais aos interesses do país.

Fonte: ABC