Prefeito de Milão chama ICE de "milícia que mata" e rejeita participação de agentes na segurança da Olimpíada
Giuseppe Sala critica possível atuação de agentes americanos nos Jogos de Inverno e diz que Milão não precisa do ICE para garantir segurança
O prefeito de Milão, Giuseppe Sala, fez duras críticas ao Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE) após surgirem relatos de que agentes americanos teriam algum papel na segurança dos Jogos Olímpicos de Inverno, que começam na cidade italiana em 6 de fevereiro.
“Isso é uma milícia que mata”, afirmou Sala em entrevista à imprensa italiana. “É uma milícia que entra na casa das pessoas assinando autorizações para si mesma. Está claro que eles não são bem-vindos em Milão, não há nenhuma dúvida sobre isso”, disse o prefeito.
Em resposta, o ICE declarou à agência AFP que sua divisão de investigações, a Homeland Security Investigations (HSI), está apenas apoiando o Serviço de Segurança Diplomática do Departamento de Estado dos EUA e cooperando com as autoridades italianas para identificar e mitigar riscos ligados a organizações criminosas transnacionais. Segundo o comunicado, todas as operações de segurança permanecem sob controle das autoridades italianas.
Fontes da embaixada americana em Roma disseram à Associated Press que agentes do ICE devem dar suporte à segurança diplomática dos Estados Unidos durante os Jogos, mas que não haverá operações de fiscalização migratória em Milão. Um porta-voz da embaixada se recusou a confirmar ou negar oficialmente os relatos à CBS News.
Apesar das críticas, Sala reconheceu os limites políticos da situação. “Será que poderíamos dizer não a Trump?”, questionou em entrevista à rádio italiana RTL 102. “Acho que eles não deveriam vir à Itália, porque não garantem estar alinhados com nossos métodos democráticos de gestão da segurança. Nós podemos cuidar da segurança sozinhos. Não precisamos do ICE”, afirmou.
A controvérsia ganhou força após a televisão estatal italiana exibir, no domingo, imagens de agentes do ICE ameaçando quebrar os vidros de um veículo que transportava uma equipe da TV pública enquanto ela cobria os acontecimentos recentes em Minneapolis, segundo a AP.
Os episódios de violência envolvendo agentes federais nos Estados Unidos também alimentaram as críticas. No fim de semana, Alex Pretti foi morto a tiros por agentes da Patrulha de Fronteira em Minneapolis, menos de três semanas depois de Renee Good, outra moradora da cidade e cidadã americana, ter sido morta por um agente do ICE. Os casos colocaram Minneapolis no centro do debate nacional sobre imigração e os métodos das agências federais.
Fonte: CBS