Mistério do minuto desaparecido em vídeo da prisão de Epstein é esclarecido
Documentos revelam que FBI destruiu gravação original e precisou reconstruir imagens a partir de cópias, o que gerou falha no vídeo divulgado
Documentos recém-divulgados mostram a corrida do FBI para explicar por que, no ano passado, liberou ao público uma gravação com um minuto faltando do vídeo de vigilância da noite em que Jeffrey Epstein morreu na prisão, em vez do arquivo original.
A falha alimentou teorias de conspiração sobre um possível encobrimento, especialmente após o então vice-diretor do FBI, Dan Bongino, prometer que a agência divulgaria as imagens originais da cela de Epstein “para que ninguém achasse que havia algo suspeito”.
O problema é que o FBI já havia destruído a cópia principal do vídeo de vigilância das últimas horas de Epstein no Metropolitan Correctional Center, em Manhattan.
Em junho de 2024, um agente do FBI obteve autorização para destruir um item de evidência identificado como 1B60, classificado como “não mais pertinente” ao caso. Esse item era justamente a gravação mestre contendo o arquivo das imagens de vídeo da prisão, armazenada em um depósito no Bronx.
Meses depois, em 2025, o Departamento de Justiça precisou recuperar esse material, o que deu início a um processo complexo de reconstrução das imagens a partir de uma cópia que ainda existia no sistema digital de gravação da prisão, chamado NiceVision.
O vídeo estava dividido em dois arquivos: um que começava às 19h40 e outro que ia da meia-noite às 6h40. Em maio de 2025, um agente utilizou uma ferramenta de captura de tela para regravar o conteúdo exibido no sistema. No entanto, 62 segundos não puderam ser capturados, deixando um intervalo entre 23h58min58s e 00h.
Quando o vídeo foi divulgado em julho, o público percebeu o salto entre 23h59 e meia-noite. Em vez de explicar que as imagens haviam sido reconstruídas a partir de uma cópia, a procuradora-geral Pam Bondi afirmou que a falha ocorria porque o sistema da prisão reiniciava todas as noites, perdendo um minuto de gravação diariamente.
Documentos indicam que essa explicação se baseou em uma hipótese não comprovada de um especialista, que acreditava que o sistema precisava de tempo para gravar os arquivos no momento da virada do dia. Especialistas ouvidos pela CBS consideraram essa teoria improvável.
Durante o processo de edição, o FBI ainda precisou converter os arquivos para um formato compatível com o software Adobe Premiere. Nessa etapa, trechos extras de gravação (“padding”) foram cortados, o que levou a novas suspeitas após análise da revista Wired.
Além disso, a proporção da imagem do vídeo foi ajustada na edição “para criar uma aparência mais natural”, segundo os documentos.
O vídeo completo, incluindo o minuto ausente, foi finalmente divulgado pelo Congresso em setembro. As imagens mostraram que nada de incomum ocorreu durante o período que havia ficado de fora da gravação original divulgada ao público.
Fonte: CBS