Novo medicamento quase dobra taxa de sobrevivência em pacientes com câncer de pâncreas, aponta estudo
Remédio experimental reduziu risco de morte em 60% e pode representar avanço histórico no tratamento da doença
Um novo medicamento experimental trouxe resultados considerados históricos no combate ao câncer de pâncreas avançado, um dos tipos mais agressivos e letais da doença. Segundo estudo divulgado neste domingo (30), o remédio quase dobrou o tempo médio de sobrevivência de pacientes com câncer pancreático metastático.
O medicamento, chamado daraxonrasib, atua bloqueando uma proteína mutante presente em mais de 90% dos casos da doença — um alvo que pesquisadores tentavam atingir há décadas sem sucesso.
Os resultados foram publicados no tradicional New England Journal of Medicine e apresentados durante o encontro anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), em Chicago.
No estudo, pacientes que utilizaram o novo remédio viveram, em média, 13,2 meses, contra 6,7 meses daqueles tratados apenas com quimioterapia tradicional.
Além disso, o tratamento reduziu em 60% o risco de morte entre pacientes que já haviam passado por terapias anteriores sem sucesso.
“Não é uma cura, mas é um enorme passo adiante”, afirmou o oncologista Zev Wainberg, da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), um dos líderes da pesquisa.
O estudo acompanhou cerca de 500 pacientes com câncer pancreático metastático cujo tratamento anterior havia parado de funcionar. Parte deles recebeu o medicamento experimental em forma de comprimido diário, enquanto o restante continuou na quimioterapia convencional.
Segundo os pesquisadores, além do aumento da sobrevida, os pacientes que tomaram o daraxonrasib relataram menos dores, melhor qualidade de vida e menos efeitos colaterais graves.
Especialistas destacaram que muitos pacientes continuam usando o remédio mesmo após o encerramento da análise inicial dos dados, o que pode ampliar ainda mais a diferença de sobrevivência ao longo do tempo.
A oncologista Rachna Shroff, da Universidade do Arizona, disse ter se emocionado ao ver os resultados.
“Depois de anos tratando câncer de pâncreas, comecei a chorar quando vi os dados pela primeira vez”, declarou durante o congresso da ASCO.
O medicamento foi desenvolvido pela empresa Revolution Medicines, que financiou o estudo. A agência reguladora americana FDA já anunciou que irá acelerar a análise para possível aprovação do tratamento.
Enquanto isso, pacientes que atendem determinados critérios já podem ter acesso ao remédio através de um programa especial antes da aprovação oficial.
O ex-senador americano Ben Sasse, diagnosticado com câncer pancreático em estágio 4, revelou recentemente em entrevista ao programa “60 Minutes” que teve redução de 76% no volume do tumor após iniciar o tratamento.
“Tenho muito menos dor do que tinha quatro meses atrás. É praticamente um remédio milagroso”, afirmou.
O câncer de pâncreas é considerado um dos mais difíceis de tratar porque geralmente é descoberto apenas quando já se espalhou para outros órgãos. Segundo a Sociedade Americana do Câncer, mais de 52 mil pessoas devem morrer da doença nos Estados Unidos este ano.
Atualmente, a taxa média de sobrevivência após cinco anos do diagnóstico é de apenas 13%.
Pesquisadores acreditam que o novo medicamento pode marcar uma virada importante no desenvolvimento de terapias contra a doença, especialmente por conseguir atingir mutações do gene KRAS, consideradas durante muito tempo “impossíveis de tratar” pela medicina.
Fonte: CBS