Exame de sangue pode prever risco de Alzheimer até 10 anos antes dos sintomas, aponta estudo

Pesquisa indica que teste é capaz de identificar idosos com maior probabilidade de desenvolver comprometimento cognitivo, mas especialistas afirmam que ainda não é recomendado para uso preventivo.

Por Lara Barth

Médico; medicina; saúde

Um exame de sangue que já auxilia no diagnóstico da doença de Alzheimer pode, no futuro, ajudar a prever quais idosos saudáveis têm maior risco de desenvolver a doença anos antes do surgimento dos primeiros sintomas. A conclusão é de um estudo publicado na revista científica JAMA e apresentado na Conferência Internacional da Associação de Alzheimer, em Londres.

Os pesquisadores analisaram dados de 2.684 idosos que não apresentavam sinais de comprometimento cognitivo quando ingressaram em estudos de longo prazo sobre Alzheimer. Durante o acompanhamento, 478 participantes desenvolveram algum grau de comprometimento cognitivo.

O estudo mostrou que pessoas com níveis muito elevados da proteína p-tau217 no sangue apresentaram 38% de risco de desenvolver sintomas da doença em até cinco anos. Em um período de dez anos, essa probabilidade chegou a 78%.

A proteína p-tau217 está relacionada ao acúmulo de placas de beta-amiloide e aos emaranhados de tau no cérebro, duas das principais características biológicas associadas ao Alzheimer.

Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores ressaltam que o exame ainda não deve ser utilizado por pessoas saudáveis como forma de prever a doença. Atualmente, o teste é indicado para ajudar no diagnóstico de pacientes que já apresentam problemas de memória ou outros sintomas cognitivos.

A neurologista Reisa Sperling, autora sênior da pesquisa, afirma que, por enquanto, o resultado do exame não mudaria as recomendações médicas.

"Neste momento, eu continuaria orientando as pessoas a manter uma alimentação saudável, dormir bem, praticar atividade física regularmente e permanecer socialmente e intelectualmente ativas", explicou.

Segundo os cientistas, a principal utilidade da descoberta, neste momento, é facilitar a seleção de voluntários para pesquisas que testam medicamentos capazes de prevenir ou retardar o desenvolvimento do Alzheimer antes do aparecimento dos sintomas.

Especialistas que não participaram do estudo consideraram os resultados importantes, mas alertaram que ainda existem limitações. Entre elas estão o número reduzido de participantes acompanhados por dez anos e a influência de outros fatores, como doenças cardiovasculares, que também podem causar perda cognitiva.

Ainda assim, os pesquisadores acreditam que o exame representa um passo importante rumo à identificação precoce da doença e poderá se tornar uma ferramenta valiosa caso os estudos em andamento confirmem a eficácia de tratamentos preventivos para o Alzheimer.

Fonte: ABC