Astrônomos descobrem novo planeta escondido por mais de uma década ao redor de estrela jovem

Mundo gasoso, cerca de 100 vezes mais fraco que seus vizinhos, foi identificado por duas equipes independentes usando telescópios diferentes e se tornou um dos exoplanetas mais difíceis de detectar já registrados.

Por Lara Barth

Astrônomos anunciaram a descoberta de um novo planeta orbitando a estrela Beta Pictoris, após mais de dez anos "escondido" em meio ao brilho intenso da estrela e de outros planetas já conhecidos no sistema.

O planeta, um gigante gasoso um pouco maior que Júpiter, é considerado o mais fraco já fotografado diretamente da Terra, segundo os pesquisadores. A descoberta foi publicada na revista científica The Astrophysical Journal Letters.

Curiosamente, duas equipes independentes chegaram à mesma conclusão com apenas alguns dias de diferença no fim do ano passado. Um grupo liderado por pesquisadores da Escócia e da Alemanha utilizou o Very Large Telescope, do Observatório Europeu do Sul, no Chile, e depois confirmou a órbita do planeta ao revisar imagens arquivadas por mais de uma década.

Já outra equipe, liderada por cientistas da Universidade da Califórnia, fez a descoberta utilizando o Telescópio Espacial James Webb, da NASA. Com apenas duas observações, o Webb conseguiu identificar o planeta, que é cerca de 100 vezes menos brilhante do que os outros já conhecidos no sistema.

Segundo os pesquisadores, o planeta permaneceu oculto por aproximadamente 11 anos, escondido pelo intenso brilho da estrela e dos dois gigantes gasosos que já haviam sido detectados anteriormente.

O novo mundo leva cerca de 91 anos para completar uma volta ao redor de Beta Pictoris, um período semelhante ao da órbita de Urano em torno do Sol.

A estrela está localizada a aproximadamente 63 anos-luz da Terra, na constelação de Pictor, e possui apenas 20 milhões de anos, sendo considerada extremamente jovem em comparação com o Sol, que tem cerca de 4,5 bilhões de anos.

Os cientistas acreditam que o sistema ainda esteja em processo de formação, o que pode oferecer pistas importantes sobre como planetas gigantes e mundos rochosos surgem e evoluem ao longo do tempo.

Até hoje, mais de 6 mil exoplanetas já foram confirmados, mas menos de 100 foram observados por meio de imagens diretas, tornando essa descoberta especialmente rara e relevante para os estudos sobre a formação de sistemas planetários.

Fonte: ABC