Cientistas anunciam dois novos casos de possível cura do HIV; total chega a 13 no mundo

Pacientes estão há mais de um ano sem antirretrovirais e sem sinais do vírus após transplantes de células-tronco realizados para tratar doenças graves do sangue.

Por Lara Barth

Médico; medicina; saúde

Médicos anunciaram dois novos casos de possível cura do HIV, elevando para 13 o número de pacientes que alcançaram remissão prolongada da infecção após transplantes de células-tronco. Os resultados serão apresentados durante a Conferência Internacional sobre AIDS, realizada no Rio de Janeiro.

Um dos pacientes, conhecido como paciente de Kansas City, está há 14 meses sem usar medicamentos antirretrovirais e continua sem apresentar carga viral detectável. O outro paciente, que também convivia com hepatite B, permanece há 12 meses sem tratamento contra o HIV e, até o momento, os exames também não detectaram o vírus.

Os dois casos têm um ponto em comum: ambos receberam transplantes de células-tronco para tratar doenças graves do sangue, como leucemia. Os doadores possuíam uma rara mutação genética chamada CCR5-delta32, que dificulta a entrada das formas mais comuns do HIV nas células do sistema imunológico.

Apesar dos resultados animadores, os especialistas destacam que ainda é cedo para falar em cura definitiva. O termo mais utilizado é "remissão sustentada do HIV sem antirretrovirais", já que os pacientes precisam ser acompanhados por mais tempo para confirmar que o vírus não voltará a se multiplicar. Além disso, não existe um exame capaz de garantir que todas as células infectadas tenham sido eliminadas do organismo.

Os pesquisadores reforçam que o transplante de células-tronco não é um tratamento para o HIV. O procedimento apresenta riscos elevados, como infecções graves, rejeição e até morte, sendo indicado apenas para pacientes que também precisam tratar doenças hematológicas severas.

A expectativa agora é desenvolver terapias mais seguras que reproduzam os efeitos observados nesses casos. Entre as linhas de pesquisa estão medicamentos que fortalecem o sistema imunológico, anticorpos e terapias genéticas capazes de tornar as células resistentes ao HIV.

Enquanto isso, os antirretrovirais continuam sendo a forma mais eficaz de controlar a infecção e impedir a transmissão sexual do vírus.

Fonte: G1