Seis homens ligados ao PCC admitem participação em esquema de lavagem de US$ 30 milhões nos EUA
Cinco brasileiros e um cidadão americano confessaram envolvimento em uma rede internacional que, segundo autoridades, movimentava dinheiro do tráfico de drogas entre Estados Unidos e Brasil.
Seis homens acusados de integrar uma rede de lavagem de dinheiro ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC) admitiram participação em um esquema que teria movimentado mais de US$ 30 milhões nos Estados Unidos.
Os réus, todos moradores da região de Orlando, na Flórida, se declararam culpados de conspiração para lavagem de dinheiro em um processo que tramita no Tribunal Distrital do Sul da Flórida.
Os acusados são:
Ygor Fokin Saviolli, 35 anos;
Gabriel Cezar Menezes, 29 anos;
João Andrade de Mello, 29 anos;
Tadeu Sebastiane Rabelo Alves Barbosa, 30 anos;
Leandro de Ávila Gonçalves, 42 anos;
Omar Aliperti de Mello Correa, 34 anos, cidadão americano.
Com as confissões, o caso não deve seguir para julgamento com júri. A próxima etapa será a definição das penas por um juiz federal. Cada acusado pode receber até 20 anos de prisão, mas as condenações serão determinadas individualmente, levando em consideração o papel de cada um no esquema, valores movimentados e histórico criminal.
Segundo o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, a organização coletava grandes quantias em dinheiro vivo provenientes da venda de drogas em diferentes estados americanos. O dinheiro era depositado no sistema financeiro para ocultar sua origem e depois enviado aos fornecedores de entorpecentes que operavam fora do país.
As autoridades afirmam que as coletas eram organizadas por meio de conversas no WhatsApp e envolviam transportadores responsáveis por buscar valores em cidades como Atlanta, Charlotte, Chicago, Cleveland, Minneapolis, Rochester e Tampa.
De acordo com a investigação, Ygor Saviolli teria financiado operações antecipadamente e supervisionado o recebimento e a lavagem dos valores. Gabriel Menezes teria atuado como facilitador, orientando transportadores e participando de algumas coletas.
Já Omar Correa, João de Mello, Tadeu Barbosa e Leandro Gonçalves seriam responsáveis por recolher grandes quantias em dinheiro em diferentes regiões dos Estados Unidos.
A ligação do esquema com o PCC foi confirmada pelo Departamento do Tesouro americano, que apontou dois principais núcleos financeiros da organização: um na Flórida e outro em São Paulo.
Segundo as autoridades, parte dos recursos teria sido enviada ao Brasil por meio de criptomoedas para beneficiar a facção. O governo americano também aplicou sanções contra integrantes apontados como responsáveis pela estrutura financeira do grupo.
Os documentos oficiais indicam que os seis réus faziam parte da rede de lavagem de dinheiro associada ao PCC, mas não esclarecem se todos eram membros formais da organização criminosa ou se atuavam como operadores financeiros e facilitadores.
Após as sentenças, os brasileiros envolvidos ainda poderão enfrentar processos migratórios nos Estados Unidos, incluindo possível deportação após o cumprimento das penas. Omar Correa, por ser cidadão americano, não está sujeito à remoção.
A investigação foi conduzida pelo FBI, com apoio da DEA e da divisão de Investigações de Segurança Interna do Departamento de Segurança Interna dos EUA, incluindo equipes de Miami e do escritório de ligação em Brasília.
Fonte: Jovem Pan News