Governo Trump envia cerca de 600 soldados para operações militares na América Latina, diz jornal
Militares americanos participarão de treinamentos no Panamá, na Colômbia e em Honduras. Segundo o New York Times, a movimentação faz parte da ampliação da estratégia dos EUA contra o tráfico de drogas na região.
Os Estados Unidos começaram a enviar cerca de 600 soldados do Exército para a América Latina, em uma nova etapa da ofensiva militar do governo de Donald Trump contra o tráfico de drogas. As informações foram divulgadas nesta quinta-feira (15) pelo jornal The New York Times, com base em relatos de autoridades militares americanas que falaram sob condição de anonimato.
Segundo o jornal, os primeiros militares estão sendo enviados para um centro de treinamento no Panamá. Em seguida, parte do batalhão seguirá para a Colômbia, onde estão previstos exercícios ainda em outubro, enquanto outros soldados participarão de treinamentos com forças locais em Honduras.
Além das atividades de treinamento, alguns militares poderão apoiar forças de operações especiais dos Estados Unidos que assessoram exércitos da região em ações contra suspeitos de envolvimento com o tráfico de drogas. Inicialmente temporários, os deslocamentos podem abrir caminho para uma presença militar americana mais permanente na América Latina, segundo o New York Times.
Estratégia amplia presença militar dos EUA
A movimentação integra uma estratégia mais ampla do governo Trump para combater cartéis de drogas e reforçar a influência americana no continente. A iniciativa também busca limitar o avanço de potências de outras regiões, segundo a análise publicada pelo jornal.
Em dezembro de 2025, o governo americano divulgou uma nova estratégia de segurança nacional que prevê a retomada da Doutrina Monroe, política do século XIX que defendia a oposição à interferência de potências estrangeiras nas Américas. O documento inclui o fortalecimento da presença militar dos EUA e a ampliação do acesso a locais considerados estratégicos.
O Pentágono também transferiu recentemente drones MQ-9 Reaper da África para a Colômbia e o Equador. Além disso, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, criou uma estrutura para supervisionar operações militares contra organizações criminosas.
Ataques geram críticas e preocupação
De acordo com o New York Times, o Comando Sul dos Estados Unidos realizou 71 ataques contra embarcações no Caribe e no Pacífico Oriental ao longo de aproximadamente um ano. As ações deixaram pelo menos 239 mortos. O governo americano afirma que as vítimas estavam envolvidas com o tráfico de drogas, mas não apresentou provas públicas dessas acusações, segundo a reportagem.
A administração Trump também pressiona países latino-americanos a intensificar suas operações contra grupos criminosos e a autorizar ações conjuntas com forças americanas.
Especialistas ouvidos pelo jornal questionam a eficácia da estratégia e afirmam que a morte de integrantes de organizações criminosas pode ter pouco impacto sobre o funcionamento do tráfico. Organizações de direitos humanos, por sua vez, alertam para o risco de vítimas civis caso os ataques sejam ampliados para alvos em terra.
Procurado pela publicação, o Pentágono não comentou diretamente o envio dos novos contingentes, mas afirmou estar comprometido com a cooperação com países aliados para combater ameaças na região.
Fonte: G1