Quase todos os recifes de coral do mundo correm risco de colapso nas próximas cinco décadas, alerta estudo

Avaliação da União Internacional para a Conservação da Natureza aponta que 96% dos ecossistemas de recifes em águas rasas estão criticamente ameaçados. Aquecimento dos oceanos e ondas de calor marinhas são os principais fatores de risco.

Por Lara Barth

Corais no Recife

Quase todos os ecossistemas de recifes de coral do mundo enfrentam alto risco de colapso nos próximos 50 anos, principalmente devido ao aquecimento dos oceanos e às ondas de calor marinhas. O alerta faz parte de uma avaliação global divulgada nesta quinta-feira pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN).
Segundo o levantamento, 96% dos sistemas de recifes em águas rasas já estão criticamente ameaçados e podem desaparecer até 2075. Entre os ecossistemas nessa situação estão a Grande Barreira de Corais, na Austrália, o Triângulo de Coral, no Pacífico Ocidental e no Sudeste Asiático, o Sistema de Barreiras de Corais Mesoamericano e os recifes do Mar Vermelho.
A avaliação é a primeira iniciativa global da organização dedicada especificamente a analisar o risco de colapso dos ecossistemas de recifes de coral. O estudo abrange 127 ecorregiões tropicais e subtropicais, que reúnem aproximadamente 188 mil quilômetros quadrados de recifes em todo o planeta.
Aquecimento dos oceanos ameaça a biodiversidade
A mudança climática foi identificada como a ameaça mais consistente para o declínio dos recifes em escala global. O aumento da temperatura da água favorece episódios de branqueamento, nos quais os corais perdem as algas que vivem em seus tecidos e que são essenciais para sua sobrevivência.
Quando um recife entra em colapso, os corais duros desaparecem gradualmente e podem ser substituídos por algas, escombros e esponjas. Com isso, o ambiente perde sua capacidade de sustentar a diversidade de espécies que depende dele, incluindo peixes e pequenos invertebrados.
Os recifes são fundamentais para a biodiversidade marinha e sustentam aproximadamente um quarto das espécies marinhas, além de comunidades costeiras e atividades econômicas ligadas à pesca e ao turismo. Também funcionam como barreiras naturais que ajudam a reduzir a erosão costeira e os impactos das tempestades.
A diretora-geral da UICN, Grethel Aguilar, afirmou que os recifes são um dos principais indicadores da saúde dos oceanos e defendeu a redução das emissões de gases de efeito estufa, o fortalecimento das medidas de proteção e a restauração dos ecossistemas.
Branqueamento de corais atinge níveis recordes
O novo levantamento se soma a outros estudos que apontam a gravidade da situação. Uma pesquisa publicada na revista científica Nature identificou que quase 44% das espécies de corais responsáveis pela formação de recifes enfrentam risco elevado de extinção devido à mudança climática.
Além disso, um levantamento anterior indicou que o branqueamento prejudicial já havia afetado cerca de 84% dos recifes oceânicos do mundo, no episódio mais intenso registrado até então.
Em 2024, a temperatura média anual da superfície dos oceanos fora das regiões polares atingiu o recorde de 20,87 °C, refletindo o acúmulo de calor no sistema climático.
Proteção e restauração podem ajudar a preservar os recifes
Apesar do cenário preocupante, especialistas afirmam que ainda existem recifes resistentes, capazes de se recuperar de episódios severos de branqueamento. A preservação dessas áreas pode ser decisiva para a sobrevivência dos ecossistemas no futuro.
Além de reduzir as emissões globais, os pesquisadores destacam a importância de combater a poluição, controlar a pesca excessiva e limitar os impactos do desenvolvimento costeiro.
Para a UICN, a combinação de medidas de proteção, restauração e investimento contínuo em ecossistemas costeiros pode aumentar as chances de sobrevivência dos recifes e das comunidades que dependem deles.

Fonte: ABC