Saeb 2025: Brasil recupera nível pré-pandemia, mas ainda tem gargalos

Por Daniella Almeida - Repórter da Agência Brasil

Saeb 2025: Brasil recupera nível pré-pandemia, mas ainda tem gargalos

Os resultados nas avaliações do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) 2025, divulgados nesta quarta-feira (5) pelo Ministério da Educação (MEC), em Brasília, mostram que, apesar da consistente melhora dos indicadores de proficiência da língua portuguesa e matemática em todas as etapas de ensino, a aprendizagem ainda é o principal desafio do Brasil.

O MEC apontou que, nos anos iniciais do ensino fundamental (1º ao 5º ano), a nota padronizada (média de desempenho dos estudantes) do Saeb 2025 aumentou de 5,9 para 6,2 entre 2023 e 2025, o que representa o avanço mais expressivo entre as três etapas de ensino avaliadas.

Quando analisado o desempenho dos estudantes brasileiros dos anos iniciais do ensino fundamental das escolas públicas, a proficiência média superou os patamares pré-pandêmicos (2019) em língua portuguesa e matemática e atingiu o nível adequado de aprendizagem.

Já nos anos finais do ensino fundamental (6º ao 9º ano), a nota padronizada subiu de 5,1 para 5,2 entre 2023 e 2025, o que retrata que a média permanece no nível básico nas duas disciplinas.

A nota padronizada do ensino médio, no último biênio, também cresceu 0,1 e superou o resultado de 2019, de 4,4. Porém, aqui, o resultado de matemática ainda está no nível abaixo do básico.

A coordenadora de Políticas Educacionais da organização da sociedade civil Todos Pela Educação, Natália Fregonesi, explica que, nesta última etapa do ensino básico, muitos alunos chegam com defasagens acumuladas nas etapas anteriores.  "Por isso, é urgente priorizar a aprendizagem, desde o início do ensino fundamental."

Resultados por etapa de ensino

Em uma escala que vai de 0 a 500, o SAEB 2025 revela que, no 5º ano do ensino fundamental, em português, a avaliação passou de 207,6 em 2023, para 215,1 pontos, em 2025.

Em matemática, de 218,3 para 227,4. A rede pública cresceu 3,7 pontos entre 2023 e 2025.

No caso do 9º ano do ensino fundamental, em língua portuguesa a média passou de 252,9 para 256,6. Em matemática, de 249,9 para 255,3.

Já no 3º ano do ensino médio, em língua portuguesa, o resultado passou de 269,1 para 272,3; e em matemática, de 263,9 para 268,0.

Considerando toda a rede estadual, que inclui o ensino médio tradicional e o ensino médio integrado à educação profissional e tecnológica, em língua portuguesa, o desempenho dos estudantes que cursavam o 3º ano passou de 271,7 para 275,8; e em matemática, de 267,3 para 271,4 no mesmo período.

Se dividido em etapas da educação básica, o que preocupa os educadores não é a aprendizagem dos estudantes nos anos iniciais (1º ao 5º ano) do ensino fundamental, sobretudo, de escolas públicas, que tiveram médias nas duas disciplinas acima dos níveis pré-pandêmicos (2019). A preocupação está no avanço lento dos resultados dos anos finais (6 ao 5º ano) do ensino fundamental e no ensino médio, onde observou-se que os níveis médios de aprendizagem de língua portuguesa e em matemática, basicamente voltaram ao que eram em 2019. E o maior gargalo observado é o aprendizado da matemática no ensino médio, que ainda não voltou aos níveis anteriores à crise do coronavírus, em 2020.

Coordenadora de Políticas Educacionais do Todos Pela Educação, Natália Fregonesi. Foto: Divulgação/todos pela educação

Natália, do Todos pela Educação, considera que os resultados do Saeb de 2025 mostram uma recuperação importante na aprendizagem, mas ainda é pouco: "Essa melhora foi insuficiente para mudar o nível de aprendizagem da etapa como um todo".  Para ela, o desafio é colocar a aprendizagem no centro das políticas públicas "para conseguir acelerar o avanço, especialmente, nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio, onde os resultados são um pouco mais desafiadores."

Desafios para destravar a matemática

Especialistas em educação avaliam que é necessário que o Brasil aumente o ritmo de avanços, sobretudo na matemática, para reverter este quadro.

O vice-presidente de Educação da Fundação Lemann, Felipe Proto, afirma que os resultados de matemática mostram que o enfrentamento dos desafios demanda esforços coordenados e sustentados. Avançar nessa área exige prioridade na agenda educacional, continuidade e uma estratégia consistente de implementação das políticas públicas já anunciadas, como o Compromisso Nacional Toda Matemática [do Ministério da Educação]. 

Adicionalmente, Natalia Fragonesi exemplifica outras políticas públicas para priorizar a aprendizagem desde o início do ensino fundamental.

"É preciso garantir formação e apoio aos professores, acompanhamento pedagógico das escolas, estratégias de recuperação das aprendizagens, de recomposição das aprendizagens para os estudantes que não estão conseguindo desenvolver as habilidades no tempo esperado", lista a coordenadora do Todos Pela Educação.

O ministro da Educação explicou que este não é um desafio apenas do Brasil e que vários países de economias avançadas têm tido uma queda vertiginosa na proficiência em matemática.  O titular do MEC frisa que o Brasil está atento à questão com a formação inicial e continuada de professores. Leonardo Barchini relembrou, ainda, que a Prova Nacional Docente (PND) 2025 mostrou que o país tem professores proficientes na área de matemática e em número suficiente para atuar nas redes de ensino.