Datafolha acende alerta no PT sobre Lula em Pernambuco
Levantamento mostra uma divisão inesperada entre eleitores petistas e muda a avaliação sobre a presença do presidente na campanha local
Pesquisa aumenta cautela no entorno petista
A divulgação integral da pesquisa Datafolha nesta semana reforçou a preocupação de aliados de Lula em Pernambuco. O levantamento mostrou que uma fatia expressiva do eleitorado petista no estado afirma que votaria na governadora Raquel Lyra, dado que passou a influenciar a leitura sobre a presença do presidente na campanha local.
Entre os eleitores do PT, 32% disseram que escolheriam Raquel Lyra, enquanto 65% apontaram João Campos. O resultado expõe uma divisão que vai além da disputa estadual e ajuda a explicar por que lideranças petistas passaram a tratar com mais prudência uma eventual agenda presidencial no estado.
Visita de Lula pode gerar ganhos e ruídos
Nos bastidores, a avaliação é de que a passagem de Lula por Pernambuco poderia fortalecer chapas proporcionais e a campanha de Humberto Costa ao Senado. Ao mesmo tempo, há receio de que a movimentação produza ruído entre prefeitos e aliados que também mantêm relação política com a governadora.
Um dirigente ouvido em off afirmou que existe preocupação com os efeitos da visita sobre a disputa de Humberto Costa. A leitura é de que parte da base de prefeitos vinculada a Raquel poderia se sentir desconfortável e reduzir o empenho na campanha, caso o presidente se envolva diretamente na agenda estadual.
João Campos pressiona pela presença presidencial
O próprio Humberto Costa disse na semana passada que as tratativas sobre a ida de Lula ao estado ficariam a cargo de João Campos. A fala reforça a percepção de que o prefeito do Recife tem insistido na presença do presidente, enquanto o PT tenta calibrar o impacto político dessa eventual participação.
A dúvida cresce também porque pesquisas nacionais recentes mostraram um cenário menos favorável a Lula em um eventual segundo turno. Dentro desse contexto, aliados avaliam que o presidente precisa preservar sua força em Pernambuco, sem correr o risco de ampliar tensões com setores já divididos da base.
Raquel mantém relação ambígua com o Planalto
A governadora segue com uma postura ambígua em relação ao governo federal. Embora não declare apoio direto a Lula, também evita o confronto aberto e frequentemente elogia o presidente em entrevistas e sabatinas, o que embaralha a disputa por eleitores que transitam entre diferentes campos políticos.
Em Pernambuco, o dado do Datafolha passou a ser visto como um sinal da fragmentação possível da base eleitoral em 2026. Para os articuladores políticos, o desafio será transformar presença, alianças e discurso em vantagem concreta, sem provocar perdas desnecessárias no tabuleiro estadual.