Obesidade infantil e pressão alta avançam entre jovens brasileiros
Entre os obesos de 15 a 18 anos, a taxa de hipertensão chega a 60,5%, segundo levantamento com mais de 6 mil estudantes de três estados
Hipertensão preocupa entre crianças e adolescentes
A hipertensão atinge 28,3% de crianças e adolescentes de até 18 anos no Brasil, segundo dados da pesquisa Brasil Coração Saudável, da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). A pré-hipertensão foi identificada em 11,6% dos avaliados, reforçando o alerta para problemas cardiovasculares já na infância e na adolescência.
O levantamento indica que a condição é mais frequente em meninos de 15 a 18 anos, com 40,7%, e em crianças com menos de 7 anos, com 39,1%. Esses números mostram que a pressão alta não é um problema restrito à vida adulta e pode aparecer cedo, especialmente quando há fatores de risco associados.
Excesso de peso e risco cardiovascular
Entre os 6.092 estudantes pesquisados em 38 escolas de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e São Paulo, uma em cada três crianças e adolescentes apresentou excesso de peso. O estudo apontou 19,5% de sobrepeso e 13,6% de obesidade, com índices mais altos em meninas de 11 a 14 anos e em meninos de 7 a 10 anos, respectivamente.
De acordo com o cardiologista Álvaro Avezum, membro da SBC e coordenador do projeto Coração Saudável, a redução da atividade física, a alimentação inadequada e hábitos que aumentam o estresse contribuem diretamente para o crescimento do risco cardiovascular. A combinação desses fatores favorece o surgimento de obesidade e hipertensão arterial sistêmica.
Telas, sedentarismo e pressão alta
O estudo também mostra que 59% dos entrevistados passam mais de três horas por dia em frente às telas, principalmente celular, citado por 86%, e TV, por 80%. Ao mesmo tempo, 66% fazem apenas de uma a duas horas de atividade física por semana, embora 93% pratiquem exercícios na escola.
A relação entre peso e pressão alta aparece de forma clara nos dados: entre os adolescentes obesos de 15 a 18 anos, 60,5% têm hipertensão. Já entre os obesos em geral, quase metade apresenta o problema, com 48,4%. Segundo a pesquisa, quanto maior o peso, maior a proporção de casos de hipertensão entre os jovens avaliados.
O tema dialoga com a discussão sobre obesidade em crianças e adolescentes, alvo de novos guias e alertas de saúde pública em diferentes países. Estudos anteriores já haviam apontado que o excesso de peso cresceu em crianças e adolescentes brasileiras na pandemia, reforçando a necessidade de prevenção desde cedo.
Especialistas também têm alertado para a importância de ambientes saudáveis e de políticas de prevenção. Nesse sentido, a discussão sobre o direito de crianças e adolescentes a ambientes saudáveis ganha relevância diante da relação entre sedentarismo, alimentação e doenças crônicas.
Em outro momento, a Saúde já havia lançado uma campanha nacional de prevenção à obesidade infantil, enquanto iniciativas e estudos sobre sedentarismo e doenças cardiovasculares seguem chamando atenção para os riscos associados a hábitos pouco ativos.