Ouro bate recordes na cotação internacional; entenda os motivos

Por Bruno de Freitas Moura - Repórter da Agência Brasil

Ouro bate recordes na cotação internacional; entenda os motivos

No meio da tarde desta quarta-feira (28), a cotação do ouro no mercado internacional seguia a trajetória de alta, atingindo recordes de valorização. A onça troy, unidade de medida padrão para metais preciosos, equivalente a 31,1035 gramas, era negociada em torno de US$ 5.280, cerca de R$ 27,5 mil. Por volta das 15h, chegou a alcançar US$ 5.326, até então a maior cotação já alcançada pelo ouro à vista. 

O recorde é mais uma face da escalada do preço do metal, que apresenta disparada, principalmente nos últimos 12 meses, quando se valorizou em mais de 90%.

Esta semana, pela primeira vez, a cotação superou o marco de US$ 5 mil. Só em 2026, a valorização gira em torno de 22%.

Uma das principais regras da economia é a lei da oferta e procura. De forma direta, significa que quanto mais agentes econômicos buscam por um produto ou ativo, como no caso do ouro maior o preço negociado. Ou seja, o comportamento da cotação indica que o interesse pelo metal está em alta.

Tarifas impostas pelo presidente Donald Trump são principal gatilho para a incerteza global - Foto : Reuters/Carlos Barria/Arquivo/proibida reprodução

Um comportamento semelhante é percebido no preço da prata. Em um ano, a onça troy passou de US$ 30 para o recorde de US$ 115. Na tarde desta terça-feira (27), era negociada perto de US$ 112.

A Agência Brasil conversou com especialistas para entender os motivos que levaram à subida do preço de negociação dos metais no mercado internacional.

Não coincidentemente, a escalada do ouro fica flagrante a partir de janeiro de 2025, mês em que Donald Trump tomou posse como presidente dos Estados Unidos. À época, a onça troy do ouro era vendida a US$ 2,7 mil. De lá para cá, o preço quase dobrou.

Efeito Trump

O economista Rodolpho Sartori, da agência classificadora de risco de crédito Austin Rating, explica que a subida dos metais é reflexo de uma conjuntura atual recheada de incertezas.

Ele lembra que o ouro, mais destacadamente, e a prata, são tidos historicamente como reservas de valor. Reserva de valor é um ativo ou mercadoria que preserva o poder de compra ao longo do tempo.

Na visão dele, o principal gatilho para a incerteza global é a política econômica do presidente Donald Trump.

Com as tarifas e o protecionismo quase mercantilista, já é por si só um rompimento com o livre comércio que os EUA sempre defenderam, disse à Agência Brasil.

Sartori acrescenta como elemento gerador de incerteza as truculências externas.

Ameaças a países, até mesmo aos parceiros comerciais, ampliam a desconfiança na figura de Trump, avalia.

Desde que reassumiu a Presidência, Trump tem seguido uma agenda que, sob a alegação de proteger interesses americanos, impõe tarifas a parceiros comerciais, que ficou conhecida como tarifaço.

A professora de economia do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec-RJ) Gecilda Esteves acrescenta como fator de turbulência geopolítica a cobiça de Trump pela Groenlândia.

O presidente dos EUA tem pressionado e ameaçado a Dinamarca e outros países europeus para obter controle da ilha gelada no Ártico

Isso abalou, de fato, a confiança entre os Estados Unidos e a Europa, gerando um receio de novas guerras comerciais na gestão do presidente Trump, disse.

Ela acrescenta que o conflito entre Ucrânia e Rússia, que caminha para o sexto ano, também agrava o cenário de turbulência.

O mercado começa a entender que existe um risco geopolítico real e imediato, e o ouro e a prata, obviamente, sobem, sustenta.