Guerra com Irã faz preço da gasolina subir nos EUA e consumidores já pagam mais caro nos postos

Valor médio do combustível aumentou 26 centavos em apenas uma semana e atingiu o nível mais alto desde abril de 2025

Por Lara Barth

Alteração nos preços da gasolina

Os preços da gasolina nos Estados Unidos registraram uma forte alta na última semana, impulsionados pela escalada da guerra envolvendo o Irã. De acordo com novos dados da plataforma GasBuddy, os consumidores estão pagando cerca de 26 centavos a mais por galão do que pagavam há sete dias.

Na manhã de quinta-feira, o preço médio da gasolina no país chegou a US$ 3,246 por galão, o nível mais alto desde abril de 2025. Segundo Patrick De Haan, especialista em petróleo da GasBuddy, o aumento representa uma alta semanal incomum e acelerada.

Dados da associação automobilística AAA mostram valores semelhantes nos postos do país. O diesel também sofreu forte aumento, com alta de 40 centavos na última semana, segundo o levantamento.

Os preços da gasolina vinham caindo há meses e chegaram a ficar abaixo de US$ 3 por galão em dezembro, mas voltaram a subir conforme o conflito entre Estados Unidos e Irã se intensificou.

“O preço do petróleo vinha subindo com a possibilidade de ataques. Agora, com os ataques acontecendo de fato, a escalada é ainda maior”, explicou De Haan à CBS News.

A expectativa é de que os preços continuem subindo no curto prazo. Segundo o especialista, a gasolina pode ficar entre 10 e 15 centavos mais cara por galão na próxima semana, antes de o ritmo de alta começar a diminuir.

Já o diesel pode demorar mais para recuar, porque os estoques estão mais apertados. O preço médio do diesel chegou a US$ 4,124 por galão, o maior valor desde dezembro de 2023.

A principal razão para a alta é o impacto da guerra no fornecimento global de petróleo. O conflito tem afetado o transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes do mundo para o comércio de energia.

Segundo De Haan, a redução do tráfego na região está afetando o acesso a cerca de 20 milhões de barris de petróleo por dia no mercado global.

“Nada consegue substituir esse volume”, afirmou.

Para tentar reduzir os impactos, o presidente Donald Trump autorizou a Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional dos EUA a oferecer seguros para navios que cruzam o Golfo Pérsico, com o objetivo de evitar interrupções maiores no transporte de petróleo.

Enquanto isso, o preço do petróleo também continua subindo. O barril do Brent, referência internacional, avançou 3,7% e chegou a US$ 84,42, enquanto o petróleo americano subiu 5,4%, para US$ 78,70, segundo dados da FactSet.

Outros fatores também pressionam os preços da energia. Ataques com drones a uma refinaria na Arábia Saudita e a decisão do Catar de suspender a produção de gás natural liquefeito aumentaram a tensão nos mercados globais.

Mesmo assim, especialistas afirmam que parte da alta ocorre por fatores sazonais. Segundo De Haan, a demanda por combustível costuma crescer todos os anos durante a primavera nos Estados Unidos.

Fonte: CBS