Alta no preço do querosene de aviação pode encarecer passagens aéreas no verão

Conflito no Oriente Médio pressiona mercado de petróleo e aumenta custos das companhias aéreas, que já avaliam reajustes nas tarifas

Por Lara Barth

Avião

O aumento no preço do querosene de aviação, impulsionado pela guerra no Oriente Médio, pode tornar as passagens aéreas mais caras nos próximos meses, especialmente durante a alta temporada de viagens no verão do hemisfério norte.

Especialistas do setor afirmam que a elevação das tarifas é praticamente inevitável — a dúvida é apenas quando ocorrerá, por quanto tempo durará e qual será a intensidade do aumento. O impacto tende a ser mais significativo em voos internacionais de longa distância, que consomem muito mais combustível do que rotas curtas.

Algumas companhias aéreas fora dos Estados Unidos já anunciaram reajustes nas tarifas ou a criação de sobretaxas de combustível para compensar os custos mais altos. Nos Estados Unidos, o CEO da United Airlines, Scott Kirby, afirmou recentemente que os aumentos nas passagens “provavelmente começarão rapidamente” à medida que o encarecimento do combustível se espalhar pelo setor.

A escalada nos preços está ligada às tensões no Golfo Pérsico. O conflito tem limitado exportações de petróleo e levado grandes produtores, como Kuwait, Arábia Saudita e Iraque, a reduzir a produção diante das dificuldades logísticas.

Além disso, ataques iranianos a navios comerciais e a instalações petrolíferas na região afetaram o transporte de petróleo pelo Estreito de Hormuz, passagem estratégica por onde circula cerca de um quinto do petróleo mundial.

A volatilidade do petróleo também elevou rapidamente o preço do querosene de aviação. Nos Estados Unidos, o valor médio chegou a US$ 3,99 por galão na última sexta-feira, segundo o índice Argus U.S. Jet Fuel Index. Antes do início do conflito, há cerca de duas semanas, o combustível custava cerca de US$ 2,50 por galão.

Embora algumas companhias utilizem estratégias de hedge de combustível — que permitem travar preços por meses ou anos — muitas empresas não contam com essa proteção ou têm cobertura apenas parcial. Isso significa que, caso os preços permaneçam elevados por um período prolongado, mais companhias podem repassar os custos aos passageiros.

Outro fator que aumenta as despesas das empresas aéreas é o fechamento de partes do espaço aéreo no Oriente Médio. Muitas rotas precisaram ser alteradas, o que resulta em trajetos mais longos, maior consumo de combustível e custos operacionais mais altos.

Para os passageiros, o impacto pode aparecer de diferentes maneiras. Algumas companhias internacionais adicionam sobretaxas específicas de combustível ao valor da passagem. Já as grandes empresas aéreas dos Estados Unidos normalmente incorporam esse custo diretamente ao preço final do bilhete.

As companhias também podem aumentar tarifas de serviços adicionais, como escolha de assento, bagagem despachada, espaço extra para as pernas e embarque prioritário. Assim, mesmo que o preço base da passagem não suba imediatamente, o custo total da viagem pode acabar maior.

Se os preços do combustível continuarem elevados, algumas empresas também poderão reduzir rotas ou ajustar horários de voos, segundo especialistas do setor.

O combustível representa entre 20% e 25% dos custos operacionais das companhias aéreas, sendo a segunda maior despesa do setor, atrás apenas da mão de obra. Por isso, oscilações no preço do petróleo costumam ter impacto direto nas tarifas aéreas.

Até agora, os reajustes têm sido anunciados principalmente por companhias da região Ásia-Pacífico. A Cathay Pacific, de Hong Kong, informou que aumentará sua sobretaxa de combustível a partir desta semana, afirmando que o preço do querosene praticamente dobrou desde o início de março.

Outras empresas que já anunciaram aumentos incluem a Air France-KLM, que prevê acréscimo de cerca de 50 euros em passagens de ida e volta em voos de longa distância, e a Air India, que adotou novas sobretaxas em algumas rotas internacionais.

Especialistas recomendam que viajantes que planejam viagens para o verão comprem passagens com antecedência para tentar evitar aumentos maiores. Flexibilidade nas datas, monitoramento de preços e uso de milhas ou pontos de programas de fidelidade também podem ajudar a reduzir os custos.

Fonte: ABC