Preço da gasolina nos EUA dispara e atinge maior nível desde 2023 em meio à guerra com o Irã
Conflito pressiona mercado global de petróleo e aumenta custo de vida para consumidores
Os motoristas nos Estados Unidos estão enfrentando os preços de gasolina mais altos em quase dois anos e meio, impulsionados pelos impactos da guerra com o Irã no mercado global de petróleo.
Segundo a Associação Americana de Automóveis (AAA), o preço médio nacional do galão de gasolina comum chegou a US$ 3,79 nesta terça-feira (17), um aumento significativo em relação aos US$ 2,98 registrados antes do início do conflito, em 28 de fevereiro. A última vez que os preços atingiram esse patamar foi em outubro de 2023.
A alta é reflexo direto da disparada no preço do petróleo bruto, que sofreu forte volatilidade nas últimas semanas devido a interrupções na cadeia de suprimentos e cortes de produção no Oriente Médio. O barril do tipo Brent ultrapassou US$ 102, enquanto o petróleo americano se aproxima de US$ 96.
Para os consumidores, o impacto é imediato. Motoristas relatam dificuldades para abastecer e aumento nos gastos mensais. Além da gasolina, o diesel também registrou alta expressiva, ultrapassando US$ 5 por galão.
O cenário coloca pressão sobre a Casa Branca. Antes do conflito, o presidente Donald Trump destacava os preços baixos dos combustíveis como um ponto positivo de sua gestão. Agora, tem defendido que o aumento pode beneficiar a economia americana, já que o país é um dos maiores produtores de petróleo do mundo.
Especialistas, no entanto, alertam que o aumento dos combustíveis afeta diretamente o custo de vida e pode pressionar a inflação. Com mais gastos em itens essenciais, famílias tendem a reduzir despesas em outras áreas, o que pode impactar o crescimento econômico.
Apesar de os Estados Unidos serem exportadores líquidos de petróleo, o país não está imune às oscilações globais, já que o mercado é interligado e depende de diferentes tipos de petróleo para abastecer suas refinarias.
A situação pode se agravar caso o conflito se prolongue. O bloqueio do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial, tem limitado o fluxo de exportações e aumentado a tensão no mercado.
Como resposta, a Agência Internacional de Energia anunciou a liberação de reservas estratégicas, com participação dos Estados Unidos. Ainda assim, analistas avaliam que a medida deve ter efeito apenas temporário.
Além disso, fatores sazonais, como o aumento da demanda no verão e a mudança para combustíveis mais caros, também contribuem para a elevação dos preços.
Fonte: ABC