Classe média alta se torna o maior grupo de renda nos EUA, aponta estudo

Crescimento é impulsionado por aumento de renda e maior participação feminina no mercado de trabalho

Por Lara Barth

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A classe média alta passou a ser o maior grupo de renda nos Estados Unidos, segundo um estudo do American Enterprise Institute (AEI). A mudança reflete uma transformação estrutural na economia americana nas últimas décadas, marcada pelo aumento da renda das famílias.

De acordo com a pesquisa, cerca de 31% dos lares americanos hoje se enquadram na categoria de classe média alta — quase o triplo do registrado em 1979. Ao mesmo tempo, a participação das classes média tradicional e baixa diminuiu, não por empobrecimento, mas porque muitos desses domicílios migraram para faixas de renda mais elevadas.

O estudo, baseado em dados do Censo entre 1979 e 2024, define a classe média alta como famílias de quatro pessoas com renda entre US$ 153 mil e US$ 461 mil anuais. Já a parcela considerada rica também cresceu, embora ainda represente uma fatia menor: cerca de 3,7% dos lares.

Entre os principais fatores que explicam essa evolução está o aumento das famílias com dois provedores de renda, além do avanço educacional e profissional das mulheres. Atualmente, cerca de 40% das mulheres nos EUA possuem diploma universitário — um salto significativo em relação aos 11% registrados em 1970 — o que contribui diretamente para maiores ganhos ao longo da vida.

Esse movimento também altera o padrão de consumo no país, com maior demanda por produtos e serviços de maior valor agregado. Especialistas apontam que esse cenário reflete a chamada “economia em K”, na qual famílias de maior renda ampliam seus gastos, enquanto grupos de menor renda enfrentam mais restrições.

Apesar do avanço nos rendimentos, muitos americanos ainda relatam dificuldades financeiras. Custos elevados em áreas como moradia, educação e saúde têm crescido acima da inflação, o que impacta a percepção de bem-estar, mesmo entre famílias com renda maior.

Segundo os pesquisadores, esse contraste ajuda a explicar por que, embora os dados mostrem aumento geral da renda, parte da população ainda sente pressão no orçamento e dificuldade para atingir marcos tradicionais, como comprar uma casa ou financiar a educação dos filhos.

Fonte: CBS