Governo Trump propõe novas tarifas de até 12,5% contra dezenas de países

Medida mira produtos supostamente ligados ao trabalho forçado e pode ampliar tensões comerciais globais

Por Lara Barth

Suprema Corte considerou taifas inconstitucionais

O governo do presidente Donald Trump anunciou uma nova proposta de tarifas adicionais sobre produtos importados de dezenas de parceiros comerciais dos Estados Unidos, alegando falhas no combate à entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado.

O relatório foi divulgado nesta quarta-feira pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) e prevê tarifas extras de 10% a 12,5% sobre produtos vindos de diversos países, incluindo aliados históricos dos americanos.

Segundo o documento, Canadá, México, Taiwan e Reino Unido estão entre os países que poderão enfrentar uma tarifa adicional de 10%. Já China, Japão, Índia, Coreia do Sul, Brasil e Suíça podem ser alvo de sobretaxas ainda maiores, de 12,5%.

O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, afirmou que muitos parceiros comerciais falharam em impedir a importação de produtos fabricados com mão de obra forçada, criando uma competição desleal contra trabalhadores americanos.

“A falha dos nossos principais parceiros comerciais em enfrentar a importação de bens produzidos com trabalho forçado é inaceitável”, declarou Greer.

A medida ainda não entra em vigor imediatamente. O governo abrirá um período de consultas públicas e audiências sobre as novas tarifas a partir de 7 de julho.

O relatório foi elaborado com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento utilizado pelos EUA para investigar práticas comerciais consideradas injustas. A estratégia também permite ao governo Trump contornar limitações impostas pela Suprema Corte sobre outras tarifas comerciais aplicadas anteriormente.

A investigação concluiu que 60 países não conseguiram aplicar adequadamente restrições contra produtos ligados ao trabalho forçado.

Entre os itens apontados como mais vulneráveis a esse tipo de prática estão arroz de Myanmar, tabaco do Malawi, carne bovina do Brasil e algodão e polisilício da China.

O governo chinês negou as acusações e criticou a decisão americana. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, afirmou que “não existe trabalho forçado na China” e acusou Washington de usar o tema para fins políticos.

A nova rodada de tarifas pode gerar novas tensões comerciais globais. Nas últimas semanas, os Estados Unidos já haviam anunciado tarifas de 25% contra produtos brasileiros, alegando práticas comerciais consideradas “injustas” e falhas no combate à corrupção.

O governo Trump também vem ampliando sua política protecionista desde o retorno do presidente à Casa Branca, impondo tarifas sucessivas sobre parceiros comerciais estratégicos.

Apesar disso, o próprio relatório do USTR prevê exceções ou taxas reduzidas para alguns produtos considerados essenciais, incluindo certos têxteis, bananas, tomates, café e alguns metais.

Fonte: ABC