Trump desiste de taxa de 20% sobre navios no Estreito de Ormuz e aposta em acordos com países do Golfo
Presidente dos EUA afirma que substituirá o pedágio por investimentos estrangeiros, mas mantém plano de bloqueio naval contra embarcações iranianas.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta terça-feira (15) que desistiu da proposta de cobrar uma taxa de 20% sobre mercadorias transportadas por navios que cruzam o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o comércio mundial de petróleo e gás.
A cobrança havia sido anunciada um dia antes, junto com a decisão de ampliar o controle americano sobre a região. A proposta provocou forte reação do mercado internacional e levou o preço do petróleo ao maior patamar em um mês.
Em publicação na rede Truth Social, Trump afirmou que decidiu substituir a tarifa por acordos comerciais e de investimento com países do Golfo Pérsico. Segundo ele, esses governos se comprometeram a realizar investimentos "gigantescos" nos Estados Unidos, compensando a arrecadação que seria obtida com o pedágio.
O presidente, no entanto, não revelou quais países participarão dos acordos, e, até o momento, nenhum governo da região confirmou oficialmente os compromissos anunciados.
Horas depois, durante uma entrevista coletiva, Trump declarou que não considera adequado cobrar taxas de embarcações que utilizam o estreito.
"Não acho que alguém deva poder cobrar uma taxa. Ao mesmo tempo, também não considero justo que os Estados Unidos arquem sozinhos com a proteção dessa rota para o mundo inteiro", afirmou.
Apesar da mudança de planos em relação ao pedágio, Trump confirmou que o bloqueio naval na região será mantido. Segundo o presidente, a operação será direcionada apenas a embarcações iranianas e ocorrerá ao longo da costa do Irã.
As Forças Armadas dos Estados Unidos informaram que navios militares americanos começaram a atuar na região como parte da nova operação.
O Estreito de Ormuz é considerado uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo. Antes da recente escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã, cerca de **20% do petróleo e do gás comercializados globalmente** passavam pelo corredor marítimo.
A decisão ocorre poucos dias após o rompimento do acordo de cessar-fogo firmado entre Washington e Teerã em junho. Segundo informações divulgadas pela agência Reuters, Trump também notificou oficialmente o Congresso americano sobre a retomada das hostilidades com o Irã.
Fonte: G1