Especialistas alertam que milhões de americanos podem estar sem seguro contra enchentes por interpretarem mal mapas da FEMA
Mapas da agência federal indicam áreas de maior risco, mas não garantem que imóveis fora dessas zonas estejam protegidos contra inundações, afirmam especialistas.
Milhões de proprietários de imóveis nos Estados Unidos podem estar sem seguro contra enchentes por acreditarem, de forma equivocada, que seus imóveis estão livres de risco. O alerta é de especialistas que afirmam que os mapas de inundação da Agência Federal de Gestão de Emergências (FEMA) são frequentemente mal interpretados pela população.
O tema voltou a ganhar destaque após a história de Liz Barker, moradora de Swannanoa, na Carolina do Norte, que perdeu a casa durante as enchentes provocadas pelo furacão Helene, em setembro de 2024.
Mesmo vivendo próximo a um rio, Barker nunca contratou um seguro contra enchentes porque sua residência não estava localizada em uma Área Especial de Risco de Inundação (Special Flood Hazard Area), classificação utilizada pela FEMA para determinar quando o seguro é obrigatório em financiamentos imobiliários federais.
Após dias de chuva intensa, o rio transbordou e a água chegou até o sótão da residência, tornando o imóvel completamente inabitável.
Segundo Barker, das 24 casas de sua rua atingidas pela enchente, apenas uma possuía seguro contra inundações. Dados do Insurance Information Institute mostram que menos de 1% das residências do condado de Buncombe tinham esse tipo de cobertura quando o furacão atingiu a região.
Especialistas afirmam que muitas pessoas interpretam os mapas da FEMA como uma divisão simples entre áreas seguras e perigosas. No entanto, os mapas não são previsões de onde ocorrerão enchentes, mas sim ferramentas regulatórias usadas para orientar políticas públicas e determinar exigências de seguro em determinadas regiões.
A professora e especialista em mudanças climáticas Susan Crawford afirma que essa interpretação equivocada faz com que "dezenas de milhões de americanos" deixem de contratar um seguro mesmo estando expostos ao risco.
Outro especialista, Ed Kearns, ex-diretor de dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), explica que existe um grande mal-entendido sobre o significado das zonas de inundação da FEMA. Segundo ele, os mapas públicos nem sempre consideram fatores como chuvas extremas e os impactos das mudanças climáticas.
A FEMA informou que está atualizando cerca de mil projetos de mapeamento em todo o país e modernizando seus modelos para oferecer uma visão mais ampla dos riscos de inundação. Ainda assim, especialistas defendem que os mapas precisam incorporar de forma mais consistente projeções climáticas e o aumento dos eventos extremos.
Após quase dois anos vivendo em uma casa alugada enquanto continuava pagando a hipoteca do imóvel destruído, Liz Barker finalmente iniciou o processo de retorno à residência reconstruída.
Fonte: ABC