EUA proíbem importação de bebidas, laticínios e motos do Canadá e ampliam guerra comercial

Medida atinge quase US$ 1 bilhão em produtos canadenses e representa mais uma escalada nas tensões comerciais entre os dois países.

Por Lara Barth

Porto; Tarifas; Economia; Navio

Os Estados Unidos começaram a aplicar nesta terça-feira uma proibição à importação de quase US$ 1 bilhão em produtos canadenses, incluindo bebidas alcoólicas, laticínios e motocicletas. A medida representa mais uma etapa da guerra comercial promovida pelo presidente Donald Trump contra um dos principais parceiros comerciais dos EUA.
Segundo estimativas baseadas nos dados de 2025, a lista de produtos proibidos movimentaria cerca de US$ 967 milhões por ano. Cerca de 87% desse valor corresponde a bebidas alcoólicas. Alguns governos provinciais do Canadá haviam retirado produtos americanos das prateleiras em resposta às tarifas impostas por Trump.
Também estão incluídos determinados produtos lácteos, como o soro de leite, em meio a uma antiga disputa entre os dois países sobre as barreiras canadenses à entrada de produtos estrangeiros no mercado de laticínios.
No setor de motocicletas, a fabricante canadense BRP confirmou que os modelos de três rodas Can-Am Spyder e Canyon ficarão de fora do mercado americano. A empresa afirmou, porém, que o impacto deve ser sentido principalmente a partir do próximo ano.
A proibição ocorre após Trump impor tarifas de até 50% sobre cerca de US$ 20 bilhões em produtos canadenses. O Canadá respondeu com tarifas de 15%, 25% e 50% sobre produtos americanos.
Especialistas em comércio avaliam que o impacto econômico imediato da nova medida deve ser limitado, já que muitos dos produtos afetados já enfrentavam tarifas elevadas que tornavam sua importação pouco competitiva.
A disputa, porém, aumenta a pressão sobre as relações entre os dois países e pode complicar as negociações para renovar o acordo comercial entre Estados Unidos, Canadá e México.
O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, tem defendido a redução da dependência econômica do país em relação aos EUA, que no ano passado receberam mais de 70% das exportações canadenses. O governo também busca ampliar acordos comerciais com outros mercados, incluindo União Europeia, Índia e China.
Trump, por sua vez, afirmou esperar que o Canadá volte à mesa de negociações e aceite um acordo que considera justo. Analistas, porém, avaliam que o impasse pode durar meses, já que as tarifas e proibições atuais provavelmente não serão suficientes para provocar uma mudança rápida de posição de nenhum dos dois governos.

Fonte: NBC