Petróleo atinge maior preço em cinco meses após ataques no Oriente Médio

Barril do Brent ultrapassou US$ 111, com alta superior a 55% desde o início da guerra envolvendo o Irã. Nos EUA, gasolina chega a US$ 4,27 por galão.

Por Lara Barth

Alteração nos preços da gasolina

Os preços internacionais do petróleo atingiram o maior nível em cinco meses nesta terça-feira, após relatos de ataques contra navios e instalações petrolíferas no Oriente Médio. O movimento amplia a pressão sobre os combustíveis e os custos de vida em diversos países.
O barril do Brent, referência internacional, ultrapassou US$ 111 pela primeira vez desde maio, antes de recuar para US$ 110,30. O valor representa uma alta superior a 55% desde o início da guerra envolvendo o Irã, no fim de fevereiro. Já o petróleo WTI, referência nos Estados Unidos, chegou a US$ 105,75, acumulando valorização de mais de 60% no mesmo período.
A escalada ocorreu após uma série de relatos de ataques na região. Nesta terça-feira, o Centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido informou ter recebido uma denúncia de incidente envolvendo um navio-tanque e forças militares na costa de Omã. Separadamente, veículos estatais iranianos disseram que a Guarda Revolucionária afirmou que dois petroleiros atingiram minas navais ao sul do Estreito de Ormuz.
Na segunda-feira, os rebeldes houthis, do Iêmen, reivindicaram ataques contra alvos na Arábia Saudita, incluindo o campo petrolífero de Shaybah e instalações da Saudi Aramco em Yanbu, cidade portuária próxima a uma importante rota de transporte no Mar Vermelho.
Gasolina fica mais cara nos Estados Unidos
Nos Estados Unidos, o preço médio da gasolina chegou a US$ 4,27 por galão nesta terça-feira, segundo a associação automobilística AAA. O valor representa um aumento de quase US$ 1,30 desde o início do conflito, no fim de fevereiro.
Embora os EUA sejam o maior produtor mundial de petróleo e importem apenas uma pequena parcela do Oriente Médio, o país também sofre os efeitos da crise. Como o petróleo é comercializado em um mercado global, a redução da oferta pressiona os preços mesmo em países que dependem menos das importações da região.
O conflito também contribuiu para elevar a inflação americana ao maior nível em três anos, em maio. A pressão diminuiu ligeiramente durante o verão, após um acordo preliminar de paz estabelecer pausas intermitentes nos combates. O entendimento entre Washington e Teerã expirou em agosto, e os ataques contra navios e instalações petrolíferas continuaram.
A alta dos combustíveis ocorre às vésperas das eleições legislativas de novembro nos Estados Unidos, em um cenário no qual o custo de vida figura entre as principais preocupações dos eleitores.

Fonte: ABC