Temores sobre inteligência artificial derrubam mercados globais; Coreia do Sul aciona mecanismo de emergência
Bolsas da Europa operam em forte queda, enquanto Japão e Coreia do Sul fecharam com perdas próximas de 6%. Investidores questionam o retorno dos investimentos bilionários em IA e temem novas restrições ao setor nos Estados Unidos.
A forte queda de Wall Street na quinta-feira (5) provocou uma onda de perdas nos mercados internacionais nesta sexta-feira (6). As bolsas da Ásia fecharam em baixa acentuada, os principais índices europeus operavam no vermelho e a Coreia do Sul chegou a suspender temporariamente as negociações após uma queda expressiva.
O movimento reflete a preocupação dos investidores com o retorno dos investimentos bilionários em inteligência artificial (IA). Também aumentou a incerteza sobre o futuro do setor nos Estados Unidos, diante do temor de que a vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato leve à adoção de regras mais rígidas e restrições à expansão dos centros de dados.
Na Europa, por volta das 9h15, no horário de Brasília, o índice pan-europeu STOXX 600 recuava 1,80%. Entre as principais bolsas da região, o DAX, da Alemanha, caía 2,35%; o CAC 40, da França, perdia 1,79%; e o FTSE 100, do Reino Unido, registrava baixa de 2,29%.
Coreia do Sul aciona circuit breaker
Na Ásia, Japão e Coreia do Sul registraram algumas das maiores perdas do dia, com quedas próximas de 6%.
O índice sul-coreano Kospi chegou a despencar 8,8% durante o pregão, acionando o chamado circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações para conter movimentos extremos no mercado. As operações ficaram suspensas por 20 minutos. Após a retomada, o índice recuperou parte das perdas e encerrou o dia em queda de 6,02%.
Veja o desempenho das principais bolsas asiáticas no fechamento:
Japão (Nikkei): queda de 5,96%, aos 57.434 pontos;
Coreia do Sul (Kospi): recuo de 6,02%, aos 5.059 pontos;
Taiwan (Taiex): baixa de 4,51%, aos 39.701 pontos;
Cingapura (Straits Times): queda de 2,17%, aos 5.181 pontos;
Hong Kong (Hang Seng): recuo de 1,27%, aos 24.481 pontos;
China (Xangai): baixa de 1,10%, aos 3.649 pontos;
China (CSI 300): queda de 1,44%, aos 4.054 pontos;
Austrália (S&P/ASX 200): recuo de 0,49%, aos 9.020 pontos.
Por que os mercados estão caindo?
A onda de vendas começou em Wall Street. Na quinta-feira, o S&P 500 registrou seu pior desempenho desde abril de 2025, quando o presidente Donald Trump anunciou o aumento de tarifas sobre produtos importados, medida que ficou conhecida como “tarifaço”.
Os principais índices americanos fecharam em forte queda:
S&P 500: baixa de 4,4%, aos 7.353,73 pontos;
Dow Jones: recuo de 3,4%, aos 51.523,06 pontos;
Nasdaq: queda de 5,5%, aos 24.315 pontos.
As empresas de tecnologia lideraram as perdas, em meio ao receio de que os investimentos bilionários em inteligência artificial não produzam os retornos esperados.
Um dos principais focos de preocupação é o custo elevado de construção dos data centers, grandes instalações que concentram servidores e equipamentos necessários para o funcionamento de sistemas de IA. Investidores temem que os projetos desacelerem e que as empresas do setor estejam supervalorizadas, abrindo espaço para uma correção mais intensa nos preços das ações.
O cenário político americano também contribuiu para a incerteza. A vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato aumentou as preocupações com uma possível fiscalização mais rigorosa e restrições à construção de centros de dados, especialmente por causa do alto consumo de energia dessas instalações.
Entre as empresas mais afetadas em Wall Street na quinta-feira estão:
Nvidia: queda de 9,3%;
AMD: recuo de 17,3%;
CoreWeave: baixa de 9,8%;
GE Vernova: queda de 7,5%.
Com o resultado, o Nasdaq ficou 11,9% abaixo do recorde registrado no mês passado. No mercado financeiro, uma desvalorização superior a 10% em relação a um pico recente é classificada como correção.
Bolsas chinesas acumulam ganhos na semana
Apesar das perdas desta sexta-feira, as bolsas da China e de Hong Kong encerraram a semana no positivo. Durante o pregão, os mercados recuperaram parte das quedas, impulsionados por investidores que aproveitaram os preços mais baixos para comprar ações e pelas medidas de apoio adotadas por Pequim.
Na semana, os resultados foram:
CSI 300 (China): alta de 1,7%;
Xangai (China): avanço de 1,4%;
Hang Seng (Hong Kong): valorização de 5,1%;
Hang Seng Tech (Hong Kong): alta de 8,6%.
As empresas chinesas ligadas à inteligência artificial também foram pressionadas pela onda de vendas nos Estados Unidos. A Zhongji Innolight caiu 9,2%, enquanto a Eoptolink Technology recuou 7,3%.
Analistas apontam que investidores na China acompanham os sinais de uma possível bolha no setor de inteligência artificial americano, temendo que uma correção mais ampla também afete empresas chinesas.
Fonte: G1