EUA podem colocar em risco a Copa do Mundo após ataque à Venezuela

Ação militar reacende debate sobre respeito ao direito internacional e pressiona compromissos de direitos humanos assumidos pela FIFA

Por Lara Barth

Governo Trump em reunião com a Fifa

O ataque militar lançado pelos Estados Unidos contra a Venezuela recolocou no centro do debate global o uso da força fora das exceções previstas pelo direito internacional e abriu uma discussão que ultrapassa a política e chega ao esporte.

A Carta da ONU proíbe intervenções armadas sem legítima defesa ou autorização do Conselho de Segurança. Fora desses casos, a ação pode ser enquadrada como crime de agressão — ponto que agora é alvo de questionamentos diplomáticos e jurídicos.

O episódio ganha relevância porque os EUA serão sede da Copa do Mundo de 2026, ao lado de Canadá e México, e dos Jogos Olímpicos de 2028. Nas últimas décadas, entidades esportivas passaram a incorporar princípios de direitos humanos e responsabilidade institucional, rompendo com a antiga ideia de “neutralidade esportiva”.

Casos recentes, como as sanções impostas ao esporte russo após a invasão da Ucrânia, consolidaram um novo entendimento: conflitos armados e violações graves de normas internacionais podem gerar consequências esportivas.

No âmbito da FIFA, esse movimento foi formalizado a partir de 2016, com políticas específicas, canais de denúncia e avaliações independentes. A escolha das sedes passou a exigir garantias e estratégias de direitos humanos — condição que também foi aplicada à candidatura norte-americana.

Embora as regras existam, sua aplicação depende de decisões políticas. Até agora, as principais entidades esportivas evitam se pronunciar. Especialistas apontam que, no curto prazo, o impacto tende a ser reputacional, com questionamentos de atletas, patrocinadores e organizações civis.

O episódio intensifica um debate maior: até que ponto o esporte consegue manter a coerência entre os valores que proclama e a realidade política dos países que recebem grandes eventos.

Fonte: Terra