Assentos vazios na abertura da Copa do Mundo reacendem debate sobre preços dos ingressos
Baixa ocupação em partida entre Coreia do Sul e República Tcheca levanta questionamentos sobre custos elevados e acessibilidade do Mundial de 2026
A Copa do Mundo de 2026 começou em clima de festa no México, com mais de 80 mil torcedores lotando o Estádio Azteca, na Cidade do México, para acompanhar a vitória da seleção anfitriã sobre a África do Sul. No entanto, poucas horas depois, a presença de diversos assentos vazios em Guadalajara reacendeu as discussões sobre os altos custos para acompanhar o torneio.
Na partida entre Coreia do Sul e República Tcheca, vencida pelos sul-coreanos por 2 a 1, imagens do estádio mostraram vários espaços desocupados nas arquibancadas. Apesar disso, a organização registrou público oficial de 44.985 pessoas em uma arena com capacidade para cerca de 46 mil espectadores.
O cenário ocorre após semanas de críticas relacionadas à demanda pelo maior Mundial da história, que pela primeira vez conta com 48 seleções e é realizado simultaneamente nos Estados Unidos, México e Canadá.
Torcedores criticam custos elevados
Desde antes do início da competição, grupos de torcedores vêm questionando os preços dos ingressos, além dos gastos com hospedagem, passagens aéreas e deslocamentos entre as cidades-sede espalhadas pelos três países organizadores.
Outra preocupação levantada por fãs internacionais envolve os processos de obtenção de visto para entrada nos Estados Unidos, uma das principais sedes do torneio.
Uma análise da NBC News apontou que ainda havia ampla disponibilidade de ingressos e hotéis para diversas partidas da fase inicial. No entanto, dependendo do jogo escolhido, o custo total da experiência poderia equivaler ao valor de um mês de aluguel em cidades como Chicago.
FIFA defende política de preços
O presidente da FIFA, Gianni Infantino, rejeitou as críticas e afirmou que os preços estão alinhados aos praticados em grandes eventos esportivos internacionais.
Segundo ele, mais de seis milhões de ingressos já foram vendidos e a procura superou as expectativas da entidade em até dez vezes.
Infantino destacou ainda que os bilhetes mais baratos custavam US$ 60, valor que, segundo ele, seria inferior ao ingresso de entrada para fases decisivas de várias ligas esportivas norte-americanas.
Investigações e reclamações
Apesar da defesa da FIFA, entidades de torcedores seguem contestando a política de comercialização dos ingressos.
A Football Supporters Europe apresentou uma queixa à Comissão Europeia acusando a entidade máxima do futebol de afastar torcedores comuns ao praticar preços considerados excessivamente altos. O grupo também afirma que os ingressos anunciados a partir de US$ 60 eram extremamente limitados e se esgotaram antes da venda geral ao público.
Nos Estados Unidos, procuradores-gerais dos estados de Nova York e Nova Jersey emitiram intimações à FIFA para investigar práticas relacionadas à venda de ingressos. As autoridades avaliam denúncias de que consumidores teriam sido induzidos ao erro sobre a localização dos assentos adquiridos e que a estratégia de divulgação da entidade poderia ter contribuído para o aumento dos preços.
Até mesmo o presidente Donald Trump comentou o tema recentemente, criticando os valores cobrados pelos ingressos da competição.
Torneio segue até julho
A Copa do Mundo de 2026 será disputada ao longo de mais de cinco semanas e terá sua final realizada em 19 de julho, em Nova Jersey. A seleção dos Estados Unidos estreia nesta sexta-feira contra o Paraguai, em Los Angeles.
Enquanto a expectativa é de estádios cheios nos confrontos mais aguardados, as imagens de arquibancadas parcialmente vazias nos primeiros dias do torneio reforçam o debate sobre acessibilidade e custos para os torcedores.
Fonte: NBC