UEFA ameaça FIFA com ação judicial após plano de Gianni Infantino fracassar

Entidade europeia acusa presidente da FIFA de tentar vender participação nos lucros futuros da Copa do Mundo a investidores privados e pede preservação de possíveis provas.

Por Lara Barth

Futebol

A União das Associações Europeias de Futebol (UEFA) informou que estuda adotar medidas legais contra a FIFA após o fracasso do plano do presidente Gianni Infantino de vender parte dos lucros futuros da Copa do Mundo a investidores privados.

Em carta enviada à FIFA, advogados da UEFA afirmam que a entidade considera entrar com ações judiciais, procedimentos de arbitragem e denúncias regulatórias relacionadas ao projeto, que foi retirado por Infantino no último sábado após forte reação de federações e dirigentes do futebol mundial.

O documento também solicita que a FIFA preserve documentos, mensagens eletrônicas e outros registros que possam servir como provas em eventuais processos, alertando que a destruição ou alteração desses materiais poderá ser interpretada como ocultação de evidências.

Proposta gerou forte reação

O plano previa a criação da FIFA Forward Enterprise (FFE), empresa que administraria as operações comerciais e os torneios da FIFA. Em troca, investidores privados aportariam cerca de US$ 4,2 bilhões, avaliando a nova estrutura em aproximadamente US$ 20 bilhões.
Segundo reportagens internacionais, entre os interessados estava uma empresa de investimentos de Nova York ligada ao empresário Joshua Kushner.

A proposta também previa um pagamento único de US$ 20 milhões para cada uma das 211 federações nacionais filiadas à FIFA, desde que aceitassem aderir ao projeto até meados de setembro.

A iniciativa foi amplamente criticada por dirigentes do futebol, que argumentaram que ela colocaria parte das receitas da principal competição da modalidade sob influência de investidores privados.

UEFA chegou a discutir boicote

Na semana passada, as 55 federações filiadas à UEFA se reuniram para discutir uma resposta conjunta ao projeto.

Segundo a Associated Press, durante o encontro foi debatida a possibilidade de boicotar competições e eventos organizados pela FIFA enquanto a proposta permanecesse em análise.
Após a retirada do plano, a UEFA afirmou que a confiança em Gianni Infantino foi abalada e declarou que "nenhuma opção deve ser descartada" em relação ao futuro da presidência da entidade.

Futuro de Infantino é colocado em dúvida

A crise representa uma mudança significativa no cenário político da FIFA.

Até recentemente, Gianni Infantino era considerado favorito para conquistar um quarto mandato consecutivo na presidência da entidade, cuja eleição está marcada para março do próximo ano, no Marrocos.

Segundo a Associated Press, o projeto poderia abrir caminho para que Infantino assumisse, após o fim de seu mandato, um cargo executivo semelhante ao de comissário da nova empresa, com remuneração superior ao salário atual, estimado em cerca de US$ 6 milhões por ano, incluindo bônus.

Enquanto a UEFA lidera a oposição ao presidente da FIFA, outras confederações, como a Asiática (AFC) e a Concacaf, também manifestaram críticas ao projeto. Já a Confederação Africana de Futebol continua sendo considerada a principal base de apoio político de Infantino.

Fonte: ABC