Estudo estima que 75% dos ex-jogadores da NFL tinham doença cerebral associada a pancadas na cabeça
Pesquisa publicada no JAMA analisou 2.362 ex-atletas já falecidos e também estimou que mais de um quarto apresentou demência em vida.
Cerca de três em cada quatro ex-jogadores da NFL, a liga profissional de futebol americano dos Estados Unidos, tinham encefalopatia traumática crônica (CTE) no momento da morte, segundo um estudo publicado na quarta-feira no periódico científico Journal of the American Medical Association (JAMA).
A pesquisa analisou dados de 2.362 ex-atletas falecidos e estimou que 74,5% tinham a doença. Os pesquisadores também calcularam que 27,2% apresentaram demência durante a vida, embora ressaltem que esse percentual pode estar subestimado.
A CTE é uma doença cerebral associada a impactos repetidos na cabeça. De acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), ela provoca o acúmulo de proteínas anormais no cérebro, danificando o tecido e podendo levar à morte de células cerebrais.
Pesquisadores ajustaram possíveis distorções
A doença só pode ser diagnosticada após a morte, por meio da análise do cérebro. Por isso, a confirmação depende da doação do órgão pela família do atleta.
Esse processo pode gerar distorções nos estudos, já que familiares que observaram problemas cognitivos no ex-jogador durante a vida podem ter maior probabilidade de autorizar a doação.
Para considerar esse possível viés, os pesquisadores estimaram que famílias que perceberam sintomas cognitivos tinham aproximadamente cinco vezes mais chances de doar o cérebro do familiar.
Dos 2.362 ex-jogadores incluídos no levantamento, 396 tiveram o cérebro doado para análise. Entre esses doadores, 93,5% apresentaram sinais de CTE. Após ajustar os resultados considerando as diferenças na probabilidade de doação, a estimativa para o grupo total chegou a 74,5%.
Os autores destacaram que nenhum estudo desse tipo consegue eliminar completamente todas as possíveis distorções. Ainda assim, afirmaram que, mesmo sob hipóteses conservadoras, a estimativa não ficaria abaixo de 60%.
NFL reconhece riscos do esporte
Os resultados ampliam as evidências sobre os impactos de longo prazo dos repetidos golpes na cabeça sofridos por jogadores de futebol americano.
Em manifestação sobre uma pesquisa anterior, a NFL afirmou que trabalha continuamente para tornar o esporte mais seguro, incluindo estratégias para reduzir concussões e impactos na cabeça. A liga também declarou manter programas de apoio à saúde física e mental dos atletas.
A Associação de Jogadores da NFL (NFLPA) classificou os resultados anteriores como um alerta sobre os riscos reais do esporte e suas possíveis consequências duradouras para jogadores e familiares.
Em 2016, o comissário da liga, Roger Goodell, anunciou a iniciativa Play Safe, Play Smart, acompanhada de um compromisso de US$ 100 milhões para pesquisas e medidas voltadas à segurança dos atletas.
Os pesquisadores ressaltam, porém, que os resultados se referem especificamente a ex-jogadores da NFL que já morreram e não podem ser automaticamente aplicados aos atletas que ainda estão vivos ou a todos os praticantes de futebol americano.
Fonte: ABC