Brasileiros aumentam participação no mercado audiovisual dos EUA

Por Arlaine Castro

Os Estados Unidos começaram a tributar os vídeos on-line de brasileiros publicados na plataforma devido à grande audiência entre os espectadores norte-americanos.

Atualmente, os Estados Unidos já abrigam muitos brasileiros residentes que têm dedicado seu tempo com a Produção de Conteúdo, especialmente audiovisual, por ser um mercado em ascensão. De forma geral, o país é o principal destino dos brasileiros que decidem morar fora, representando 42% dos casos. Em 2020, havia 1,8 milhão de brasileiros vivendo no país, segundo os dados mais recentes do Ministério das Relações Exteriores.

No YouTube, é possível encontrar diversos materiais produzidos por brasileiros que moram nos Estados Unidos, abordando os mais variados temas, mas todos com o objetivo principal de mostrar como é a vida no país. Canais esses que, por apresentarem tal estilo de vida, podem auxiliar os imigrantes ou residentes “de primeira viagem” a melhor se estabelecerem na “Terra do Tio Sam”.

As plataformas de streaming, além disso, têm sido cada vez mais acessadas por cidadãos norte-americanos. De acordo com dados da consultoria Nielsen, 34,8% utilizaram tais ferramentas em julho de 2022, em um total de 191 bilhões de minutos consumidos – um aumento de 22,6% maior se comparado com julho de 2021.

É interessante frisar, inclusive, que, desde junho de 2021, de acordo com um informe oficial do Google, os Estados Unidos começaram a tributar os vídeos on-line de brasileiros publicados na plataforma devido à grande audiência entre os espectadores norte-americanos.

Segundo o comunicado, o Google tem descontado parte dos ganhos de youtubers fora dos Estados Unidos, em uma medida que foi adotada para cumprir uma determinação do Internal Revenue Service (IRS), órgão equivalente à Receita Federal brasileira – dessa maneira, os canais do YouTube têm de pagar até 30% da receita que vier de usuários nos EUA.

Produção de conteúdo

As possibilidades de crescimento do mercado audiovisual e entretenimento, apesar disso, são grandes. A produção de conteúdo audiovisual, em temas que podem extrapolar aqueles voltados às dicas para brasileiros, pode ser realizada, também para o público latino, e para os próprios estadunidenses. É o que destaca o especialista em produção audiovisual, artística e entretenimento, Gabriel Costa.

“O profissional brasileiro possui um know how para produção de conteúdo, o que torna o Brasil um grande destaque em produções televisivas, jornalísticas e até mesmo nas telas dos cinemas”, afirma. “Você apresentar seu produto, seu conhecimento para ser expandido em outro lugar, levando qualidade, formação e capacitação, além de crescer, também estará colaborando com o círculo econômico daquela região e até mesmo daquele país”, completa.

Segundo o especialista em produção audiovisual, o número de pessoas envolvidas em uma produção poderá trazer, sem dúvidas, oportunidades de novos empregos e de milhares ou milhões de dólares na economia com os investimentos aplicados.

“Produzir conteúdo na América é juntar o know how incomparável brasileiro em conteúdo e produção com o conhecimento tecnológico incomparável do americano”, afirma ele, pontuando ser cada vez mais comum a “globalização dos conteúdos produzidos”. Para Costa, tal cenário é de “fundamental importância para a aderência ao seu produto”, aumentando inclusive o consumo do conteúdo pelo público americano.

Para tanto, pontua ele, é necessário aumentar a troca entre o profissional brasileiro e o americano. Saber falar inglês, sem dúvidas, é um diferencial. Gabriel Costa descreve esse “networking” como um encontro rico para ambos.

“A partir do momento em que você tem a oportunidade legal de estar produzindo em solo americano o seu conteúdo, você precisa tirar as limitações da sua mente e se deixar ‘voar’. As possibilidades são inúmeras”, diz ele, frisando que há uma série de youtubers, por exemplo, que produzem conteúdos “de brasileiros para brasileiros” que estão no Brasil e que querem ou sonham conhecer os EUA e passar férias. “Existem brasileiros em emissoras de televisão, plataformas de streamings, rádios, grandes gravadoras e eventos”, disse.

Para o especialista, a língua não necessariamente precisa ser uma barreira, tudo dependerá do objetivo e do foco profissional. “Se você quer produzir para brasileiros, tudo certo. Agora, se você quer globalizar, que é a tendência de hoje, onde você vá falar algo que interessa a outros vários, uma das primeiras viabilidades que você precisa produzir é o inglês”, afirmou.

Fonte: Agência Dino via portal Comunique-se.