Trump é processado por congelar US$ 6 bilhões da educação pública nos EUA

Distritos escolares do Alasca e grupos de defesa alegam que governo violou leis federais ao bloquear recursos aprovados pelo Congresso

Por Lara Barth

Donald Trump

Uma coalizão de distritos escolares dos Estados Unidos, liderada pelo Anchorage School District, no Alasca, entrou com uma ação judicial contra o governo Trump pelo congelamento de US$ 6 bilhões destinados à educação pública. Os recursos, aprovados pelo Congresso, seriam aplicados em programas essenciais como desenvolvimento de professores, ensino de inglês e apoio a estudantes vulneráveis.

A suspensão dos repasses aconteceu em 1º de julho, pegando escolas e governos estaduais de surpresa. A Casa Branca alegou que os programas estavam sendo usados para promover uma “agenda radical de esquerda”, justificando assim uma revisão programática. Porém, até mesmo senadores republicanos — incluindo Lisa Murkowski, do Alasca — se opuseram à medida e pediram a liberação imediata dos recursos.

Sob pressão, a administração liberou mais de US$ 1 bilhão em fundos emergenciais para programas extracurriculares e de verão. Ainda assim, boa parte do valor permanece bloqueada, deixando distritos em situação crítica. No Alasca, o maior distrito do estado já iniciou demissões após perder US$ 46 milhões em repasses.

A ação, movida no Tribunal Distrital dos EUA em Rhode Island, sustenta que o congelamento viola a Lei de Controle de Impostos, a Lei de Procedimentos Administrativos e a separação de poderes da Constituição. O argumento central é que o governo federal não pode, por conta própria, reter verbas aprovadas pelo Congresso.

A presidente da Federação Americana de Professores (AFT), Randi Weingarten, classificou a decisão da administração como "um ataque ilegal e moralmente repulsivo" à educação pública. Já Skye Perryman, presidente da ONG Democracy Forward, chamou o bloqueio de "uma tentativa inconstitucional de sacrificar o futuro das crianças em nome de uma agenda ideológica extrema".

Governadores e procuradores-gerais de mais de 20 estados também estão processando o governo por motivos semelhantes. Jeff Jackson, procurador-geral da Carolina do Norte, afirmou que o caso é simples do ponto de vista legal: “É contra a Constituição. É contra a lei.”

Com o ano letivo se aproximando, autoridades estaduais relatam dificuldades para manter programas ativos. A Casa Branca ainda não informou quando terminará a revisão dos demais fundos. Enquanto isso, líderes educacionais, como a comissária de educação de Rhode Island, Angélica Infante-Green, pedem união: “É hora de deixar a política de lado e lutar pelos nossos estudantes.”

Fonte: ABC