Exposição precoce ao amendoim ajudou 60 mil crianças a evitar alergias, aponta estudo
Nova pesquisa mostra que diretrizes médicas de 2015, que recomendaram introduzir o amendoim na alimentação infantil ainda nos primeiros meses de vida, reduziram em até 40% os casos de alergia.
Um estudo publicado nesta segunda-feira (20) na revista Pediatrics revelou que cerca de 60 mil crianças deixaram de desenvolver alergia ao amendoim após a adoção de novas diretrizes médicas nos Estados Unidos, em 2015. A orientação passou a recomendar a introdução controlada do amendoim na dieta de bebês a partir dos quatro meses, mudando completamente a prática anterior de evitar o alimento até os três anos.
Segundo o autor principal, Dr. David Hill, do Hospital Infantil da Filadélfia, a medida “representa uma verdadeira revolução em saúde pública”. A análise de registros eletrônicos de dezenas de consultórios pediátricos mostrou que as alergias ao amendoim em crianças de até 3 anos caíram mais de 27% após 2015 e mais de 40% após 2017, quando as diretrizes foram ampliadas para incluir todos os bebês.
Antes dessa mudança, médicos acreditavam que retardar o contato com o amendoim e outros alimentos potencialmente alergênicos diminuía os riscos. No entanto, o estudo LEAP (Learning Early About Peanut Allergy), conduzido pelo pesquisador Gideon Lack, do King’s College London, provou o contrário: a exposição precoce reduzia em até 80% as chances de desenvolver alergia — e o efeito protetor persistia na adolescência.
Apesar dos resultados positivos, a implementação tem sido lenta. Pesquisas apontam que apenas 29% dos pediatras e 65% dos alergistas seguem integralmente as recomendações atualizadas. A falta de informação e o medo de reações alérgicas ainda geram dúvidas entre profissionais e pais.
Atualmente, as diretrizes — revisadas em 2021 — recomendam que bebês entre quatro e seis meses tenham contato gradual com pequenas quantidades de alimentos como manteiga de amendoim, iogurte e castanhas, sem necessidade de triagem prévia, sempre com acompanhamento médico.
Fonte: NBC