Senado dos EUA aprova resolução democrata para barrar tarifas de Trump contra o Brasil

Com apoio de cinco republicanos, medida liderada pelo senador Tim Kaine busca encerrar a emergência nacional usada por Trump para impor tarifas de 50% sobre produtos brasileiros.

Por Lara Barth

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O Senado dos Estados Unidos aprovou nesta terça-feira (28) uma resolução (52 a 48) que visa bloquear as tarifas impostas pelo presidente Donald Trump ao Brasil, em uma rara aliança entre democratas e republicanos. A proposta, de autoria do democrata Tim Kaine (Virgínia), revoga o estado de emergência nacional declarado por Trump em julho, usado como base legal para impor tarifas de 50% sobre importações brasileiras.

Cinco republicanos — Susan Collins, Lisa Murkowski, Thom Tillis, Mitch McConnell e Rand Paul — votaram junto com os democratas, num gesto considerado um forte recado político ao presidente. O texto ainda precisa passar pela Câmara dos Representantes e ser sancionado por Trump, o que torna sua aprovação mais simbólica que prática por enquanto.

Trump justificou as tarifas alegando “políticas e ações extraordinárias” do governo brasileiro, em referência ao julgamento e condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, que foi sentenciado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe em 2022.
Kaine, porém, acusou o presidente de “fabricar uma emergência para defender um aliado político”, e afirmou que as tarifas “são um imposto disfarçado que penaliza consumidores e empresas americanas”.

O líder republicano Mitch McConnell, crítico de longa data das guerras comerciais de Trump, reforçou o argumento: “As tarifas tornam mais caro construir e comprar na América. As consequências econômicas de guerras comerciais são sempre negativas.”

O vice-presidente JD Vance tentou mobilizar o partido contra a resolução, dizendo que as tarifas “protegem empregos americanos” e “aumentam o poder de negociação dos EUA”.

Apesar de improvável que a medida avance na Câmara, Kaine afirmou que a votação envia um sinal político claro: “Quando até republicanos começam a votar contra ele, o presidente escuta — e às vezes muda de comportamento.”

Fonte: CBS