Suprema Corte dos EUA demonstra ceticismo em relação às tarifas impostas por Trump, mas alguns juízes admitem certa flexibilidade

Maioria dos magistrados questiona poder ilimitado do ex-presidente para criar tarifas sob a lei de emergências econômicas, mas parte da ala conservadora busca preservar parte da política comercial

Por Lara Barth

Suprema Corte dos EUA

Em uma das ações judiciais mais relevantes do governo Donald Trump, a Suprema Corte dos Estados Unidos demonstrou, nesta quarta-feira (5), ceticismo em relação à tese de que o presidente teria autoridade ilimitada para impor tarifas comerciais. No entanto, alguns juízes indicaram disposição para conceder ao republicano alguma margem de manobra em matéria de política externa e comércio internacional.

Durante as argumentações, os ministros Amy Coney Barrett e Neil Gorsuch exploraram interpretações alternativas da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA, de 1977), que autoriza o presidente a “regular importações” em tempos de crise. Ambos sugeriram que as tarifas poderiam ser reinterpretadas como licenças regulatórias, o que permitiria a manutenção de parte da política tarifária sem afronta direta à lei.

O advogado Neal Katyal, representante da pequena empresa que moveu a ação contra o governo, rebateu a tese: “Se aceitarmos isso, o presidente poderia tarifar o mundo inteiro sob o pretexto de licenças. Seria uma carta branca perigosa.”

A maioria dos magistrados, porém, expressou preocupação com o alcance do poder presidencial, observando que a Constituição atribui ao Congresso, e não ao Executivo, a prerrogativa de criar impostos. “Vocês dizem que tarifas não são impostos, mas é exatamente o que são”, afirmou a juíza Sonia Sotomayor.

A decisão da Suprema Corte pode ter impactos bilionários, já que cerca de 70% das tarifas impostas por Trump foram baseadas na IEEPA, resultando na arrecadação de mais de US$ 89 bilhões. Caso os juízes limitem o poder presidencial, empresas americanas poderão ser reembolsadas pelos valores pagos na importação de produtos da China, Canadá e México.

Apesar das críticas, alguns juízes conservadores demonstraram preocupação com os efeitos práticos de anular as tarifas e defenderam que a Corte preserve ao menos parte do programa, em respeito à tradição de deferência ao Executivo em assuntos de política externa.

Enquanto os debates ocorriam em Washington, Trump exaltava os resultados econômicos de suas tarifas em um evento na Flórida: “Minhas tarifas estão gerando centenas de bilhões de dólares e ajudando a cortar o déficit pela metade. Ninguém imaginava isso.”

Fonte: ABC