Post de esposa de assessor de Trump sobre a Groenlândia provoca reação dura da Dinamarca

Imagem com bandeira dos EUA sobre a ilha reacende receios de anexação em meio a tensão geopolítica e ofensiva americana na Venezuela

Por Lara Barth

Esposa de assessor postou mapa da Groenlândia nas redes sociais

Em meio ao clima de tensão provocado pela operação militar dos Estados Unidos na Venezuela, um post nas redes sociais voltou a colocar a Groenlândia no centro de uma disputa diplomática. Katie Miller, esposa do chefe de gabinete da Casa Branca, Stephen Miller, publicou a imagem da ilha ártica coberta pelas cores da bandeira americana, acompanhada apenas da palavra “Soon” (“em breve”).

A postagem coincidiu com o anúncio da captura de Nicolás Maduro e foi vista por autoridades europeias como um gesto provocativo, especialmente diante do histórico de declarações de Donald Trump sobre o interesse dos EUA na Groenlândia — território autônomo sob soberania dinamarquesa.

Neste domingo (4), o embaixador dinamarquês em Washington, Jesper Møller Sørensen, reagiu publicamente, pedindo “respeito total” à integridade territorial do Reino da Dinamarca. Ele destacou a parceria estratégica entre os dois países, mas frisou que alianças pressupõem cooperação e respeito mútuo.

Trump vem defendendo que a ilha, rica em minerais estratégicos e localizada em área-chave do Ártico, é essencial para a segurança dos EUA diante do avanço de Rússia e China. Em diferentes ocasiões, evitou descartar o uso de pressão política ou meios coercitivos para ampliar influência americana no território.

A polêmica remete a 2019, quando Trump sugeriu comprar a Groenlândia — proposta rejeitada de imediato por Copenhague e pelo governo local. Agora, o tema retorna com tom mais assertivo, associado a interesses militares, controle de rotas e exploração de recursos naturais.

Analistas veem o episódio como parte de um sinal mais amplo emitido por Washington, após a operação na Venezuela, sobre a disposição da Casa Branca de agir para assegurar ativos considerados estratégicos. Embora o governo americano não tenha comentado o post, aliados observam com cautela a combinação entre retórica expansionista e movimentos recentes na política externa dos EUA.

Fonte: Veja