Superfungo mortal se espalha pelos EUA à medida que resistência a medicamentos aumenta, alertam pesquisadores

Identificado pela primeira vez no Japão em 2009, o fungo já foi detectado em pelo menos 60 países e em dezenas de estados norte-americanos

Por Lara Barth

Médico de Orlando perde licença após cirurgia fatal de 'Brazilian butt lift'

Um fungo mortal e resistente a medicamentos, que já se espalha rapidamente por hospitais dos Estados Unidos, está se tornando uma ameaça ainda maior em escala global. É o que aponta uma nova revisão científica publicada no início de dezembro.

Conhecido como Candida auris (C. auris), o patógeno é frequentemente chamado de “superfungo” por sua capacidade de resistir a múltiplos antifúngicos e de driblar o sistema imunológico humano. Segundo pesquisadores do Hackensack Meridian Center for Discovery and Innovation (CDI), os casos estão aumentando, especialmente em hospitais e instituições de longa permanência.

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC) classifica o C. auris como uma “ameaça antimicrobiana urgente” — a primeira infecção fúngica a receber essa designação. Apenas em 2025, cerca de 7 mil casos foram registrados no país, e o fungo já foi identificado em ao menos 60 países.

A revisão científica explica que o controle do patógeno é dificultado por diagnósticos ultrapassados e opções limitadas de tratamento. O fungo representa maior risco para pacientes gravemente enfermos, como aqueles em ventilação mecânica ou com o sistema imunológico comprometido. Estimativas indicam que até metade dos infectados pode morrer.

Diferentemente de outros fungos, o C. auris consegue sobreviver na pele humana e em superfícies hospitalares, espalhando-se facilmente por equipamentos médicos. Além disso, costuma ser confundido com outras infecções, o que atrasa o tratamento.

Apesar do cenário preocupante, pesquisadores identificaram uma possível vulnerabilidade do fungo: sua dependência do ferro para sobreviver. Bloquear esse mecanismo pode abrir caminho para novos tratamentos. Especialistas reforçam, porém, que medidas rigorosas de controle, diagnóstico rápido e investimento contínuo em pesquisa seguem sendo essenciais. Pessoas saudáveis não estão em risco.

Fonte: Fox