Departamento de Justiça abre investigação criminal contra Jerome Powell, presidente do Fed

Powell diz que apuração sobre obras da sede do banco central faz parte de pressão política do governo Trump para reduzir juros

Por Lara Barth

Jerome Powell, Presidente do Fed

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos abriu uma investigação criminal contra Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (Fed), em mais um episódio que amplia o embate entre o governo Donald Trump e a independência do banco central americano. A informação foi confirmada pelo próprio Powell em um vídeo divulgado no domingo à noite.

Segundo Powell, a investigação está relacionada a seu depoimento ao Congresso, no início deste ano, sobre a reforma de longo prazo dos prédios do Fed, um projeto estimado em US$ 2,5 bilhões. Ainda assim, ele afirmou que a apuração deve ser entendida dentro de um contexto mais amplo de pressão política do governo Trump para forçar o banco central a reduzir as taxas de juros.

“Isso diz respeito a saber se o Fed poderá continuar definindo os juros com base em evidências e nas condições econômicas — ou se a política monetária passará a ser ditada por pressão política ou intimidação”, afirmou Powell.

Em nota à ABC News, um porta-voz da procuradora-geral Pam Bondi disse que ela orientou os procuradores federais a priorizar investigações sobre possíveis abusos de recursos públicos. Já o procurador do Distrito de Columbia, Jeanine Pirro, afirmou que não comenta investigações em andamento.

Trump negou qualquer envolvimento na investigação. Em entrevista à NBC News, disse não saber nada sobre o caso, mas voltou a criticar Powell. “Ele certamente não é muito bom no Fed, nem em construir prédios”, afirmou. O presidente voltou a dizer que os juros estão “altos demais” e que essa deveria ser a única pressão sobre Powell.

Em julho, Trump visitou o prédio do Fed e, ao lado de Powell, voltou a cobrar cortes nos juros. Durante a visita, os dois chegaram a divergir publicamente sobre os custos da reforma, quando Powell corrigiu o presidente ao afirmar que Trump havia incluído gastos de um projeto concluído anos antes.

O senador republicano Thom Tillis, da Carolina do Norte, afirmou que a investigação reforça as suspeitas de que o governo tenta acabar com a independência do Fed. Ele disse que se oporá à confirmação de qualquer indicado ao banco central enquanto o caso não for resolvido.

O mandato de Powell como presidente do Fed termina em maio, mas ele seguirá como membro do conselho da instituição até 2028.

Fonte: ABC