EUA ameaçam usar força militar contra vizinhos que não cooperarem no combate ao narcotráfico e à influência de rivais

Nova Estratégia Nacional de Defesa cita China, Rússia e Venezuela e afirma que Washington está pronta para agir militarmente no Hemisfério Ocidental

Por Lara Barth

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O governo dos Estados Unidos afirmou que poderá empregar ação militar contra países do Hemisfério Ocidental que não cooperarem no combate ao narcotráfico ou que obstruírem os interesses estratégicos de Washington. A ameaça consta da nova Estratégia Nacional de Defesa, divulgada na sexta-feira (23) pelo Departamento de Guerra dos EUA.

O documento tem como objetivo conter a influência de China e Rússia na região e garantir a supremacia militar e comercial americana “do Ártico à América do Sul”. Embora mencione a busca por cooperação “de boa-fé” com países vizinhos, a estratégia deixa claro que os EUA estão dispostos a agir de forma unilateral quando julgarem necessário.

Como exemplo, o texto cita a operação militar que levou à queda do ditador venezuelano Nicolás Maduro, apresentada como um modelo de ação que pode ser repetido no futuro. A estratégia reforça o lema adotado pelo governo Trump de que “este é o nosso hemisfério”, uma releitura da Doutrina Monroe, chamada no documento de “Corolário Trump”.

Assinado pelo secretário de Defesa, Pete Hegseth, o texto afirma que os EUA garantirão acesso militar e comercial a áreas consideradas estratégicas, como o **Canal do Panamá, o Golfo das Américas e a Groenlândia**. Segundo o documento, aliados devem “fazer sua parte” na defesa desses interesses, sob risco de ações “focadas e decisivas” por parte de Washington.

Entre os principais pontos da estratégia estão o direito de realizar ataques militares diretos contra organizações narcotraficantes em qualquer país das Américas, a exigência de maior cooperação de Canadá e México no controle das fronteiras e o aumento da responsabilidade dos aliados no chamado “fardo da segurança compartilhada”.

No cenário global, a China é descrita como o principal rival estratégico dos EUA. O governo afirma buscar a contenção de Pequim por meio da força e da dissuasão, mas sem confronto direto, apostando em diplomacia e no reforço da presença militar no Indo-Pacífico, especialmente nas áreas próximas a Taiwan, Japão e Filipinas.

Fonte: G1