Obesidade deve crescer em 19 milhões e atingir 126 milhões de adultos nos EUA até 2035, aponta estudo

Pesquisa indica que quase metade dos adultos americanos viverá com obesidade na próxima década

Por Lara Barth

Obesidade é fator de risco para diversas complicações de saúde.

O número de americanos vivendo com obesidade deve aumentar em 19 milhões até 2035, atingindo cerca de 126 milhões de adultos, segundo um novo estudo publicado nesta quarta-feira (22) no Journal of the American Medical Association (JAMA).

Os pesquisadores identificaram que a quantidade de adultos com obesidade nos Estados Unidos mais que dobrou nas últimas três décadas, passando de 34,7 milhões em 1990 para uma estimativa de 107 milhões em 2022. As novas projeções indicam que essa tendência de alta deve continuar.

“Nossas projeções mostram que quase metade dos adultos nos EUA viverá com obesidade até 2035”, afirmou à ABC News a doutora Catherine O. Johnson, principal autora do estudo e pesquisadora do Instituto de Métricas e Avaliação em Saúde da Universidade de Washington.

O estudo analisou o índice de massa corporal (IMC) de mais de 11 milhões de americanos em todos os estados, com recortes por idade, sexo, raça e localização geográfica. Os resultados mostram que, de forma geral, as mulheres são mais afetadas do que os homens e que os estados do Sul concentram as maiores taxas de obesidade.

Adultos entre 45 e 64 anos apresentaram os índices mais elevados, enquanto mulheres com menos de 35 anos registraram o crescimento mais rápido nos últimos anos. Segundo Johnson, esse padrão indica que essas mulheres podem desenvolver mais cedo problemas de saúde associados à obesidade, como diabetes e doenças cardiovasculares.

Em 2022, mulheres negras apresentaram as maiores taxas de obesidade, seguidas por mulheres hispânicas. Especialistas apontam que desigualdades socioeconômicas, acesso limitado a serviços de saúde, disponibilidade de alimentos saudáveis e oportunidades de atividade física ajudam a explicar essas diferenças.

“A obesidade tem causas multifatoriais, incluindo acesso a alimentos saudáveis, características do ambiente urbano e sedentarismo”, explicou Johnson.

O estudo destaca que a obesidade é um problema disseminado em todo o país e deve afetar um número crescente de famílias nos próximos anos. “Trata-se de uma grande ameaça à saúde pública, que tende a persistir”, afirmou a pesquisadora, defendendo políticas públicas eficazes e acesso mais amplo e equitativo a tratamentos clínicos.

Johnson também ressaltou o papel dos profissionais de saúde, tanto no tratamento quanto na prevenção desde a infância. O avanço da obesidade pode pressionar ainda mais o sistema de saúde: em 2019, os custos associados à condição chegaram a quase US$ 200 bilhões, valor que deve continuar aumentando.

O estudo não teve como foco principal os medicamentos para perda de peso à base de GLP-1, que se popularizaram recentemente, embora pesquisas anteriores indiquem que esses remédios possam ter contribuído para uma leve desaceleração das taxas de obesidade em 2024.

Fonte: ABC