Ex-promotores do caso do Capitólio sugerem estratégia ao Congresso para investigar mortes e conduta de agentes federais em Minneapolis

Memorando recomenda uso de técnicas semelhantes às da apuração do 6 de janeiro para apurar possíveis abusos de agentes de imigração

Por Lara Barth

Capitólio dos EUA, em Washington D.C.

Seis ex-promotores que atuaram nas investigações e processos relacionados à invasão do Capitólio dos Estados Unidos elaboraram um memorando estratégico para incentivar o Congresso a investigar possíveis irregularidades cometidas por agentes federais de imigração em Minneapolis.

O documento, de quatro páginas e obtido pela CBS News, apresenta recomendações para que comissões da Câmara dos Representantes apurem denúncias de uso excessivo da força e outras violações atribuídas a agentes do Immigration and Customs Enforcement (ICE). A proposta é que o Congresso utilize ferramentas e métodos semelhantes aos empregados pelo Departamento de Justiça entre 2021 e 2025 na apuração do ataque ao Capitólio, episódio que deixou mais de 140 policiais feridos e resultou na prisão de mais de 1.500 pessoas.

As orientações foram encaminhadas a membros de destaque dos comitês de Segurança Interna, Judiciário e Supervisão da Câmara, após as mortes de Renee Good e Alex Pretti, em Minneapolis. O Departamento de Justiça decidiu não abrir investigação sobre o agente envolvido na morte de Good e foi criticado pela postura considerada hesitante no caso de Pretti.

Os ex-promotores, que deixaram o Departamento de Justiça em 2025, recomendam que o Congresso contrate ex-agentes do FBI e do Departamento de Segurança Interna com experiência em políticas de uso da força. O memorando sugere dividir a investigação em categorias, como possíveis abusos contra migrantes detidos, migrantes não detidos, manifestantes, observadores e até descumprimento de ordens judiciais.

Para Brendan Ballou, um dos autores do documento, cabe ao Congresso liderar a apuração. “O Departamento de Justiça não demonstra interesse em investigar possíveis crimes cometidos por agentes do CBP e do ICE, então caberá ao Congresso conduzir uma investigação abrangente”, afirmou à CBS.

O texto também sugere que parlamentares incentivem o envio de denúncias, fotos e vídeos por parte da população, além de analisar redes sociais de agentes envolvidos e das vítimas. Outra recomendação é solicitar a empresas de tecnologia, como o Google, a preservação de dados de geolocalização (“geofence”) que possam identificar testemunhas próximas aos locais dos incidentes.

Os ex-promotores destacam que a investigação do 6 de janeiro foi impulsionada por centenas de denúncias públicas e pela análise minuciosa de imagens e vídeos, estratégia que poderia ser replicada nos casos de Minneapolis.

O memorando menciona ainda que o Departamento de Justiça obteve taxa de 100% de condenações nos julgamentos com júri relacionados ao ataque ao Capitólio. O presidente Donald Trump, no entanto, concedeu clemência a mais de 1.500 apoiadores envolvidos nos casos, classificando os processos como uma “grave injustiça nacional”.

Fonte: CBS