Trump critica atleta do Team USA após declaração sobre situação política nos EUA
Esquiador Hunter Hess disse ter "sentimentos mistos" ao representar o país; outros atletas também relataram ataques após falarem sobre temas políticos e sociais
O presidente Donald Trump criticou neste domingo o esquiador freestyle Hunter Hess, integrante do Team USA nos Jogos de Inverno de Milão-Cortina, após o atleta comentar, dias antes, que tinha sentimentos “mistos” ao representar os Estados Unidos no atual cenário político.
Em uma postagem nas redes sociais, Trump chamou Hess de “perdedor” e afirmou que, se ele não se sentia representando o país, “não deveria ter tentado entrar para a equipe”. “Muito difícil torcer por alguém assim. MAKE AMERICA GREAT AGAIN!”, escreveu.
Durante uma coletiva de imprensa na quarta-feira, Hess respondeu a uma pergunta sobre a situação política nos EUA dizendo que sua relação com a ideia de representar o país no exterior era complexa. Segundo ele, há muitos acontecimentos dos quais não é “grande fã”, mas que, para ele, competir é uma forma de representar amigos, familiares e os valores positivos que acredita existirem nos Estados Unidos.
“Só porque estou vestindo a bandeira não significa que eu represente tudo o que está acontecendo no país”, afirmou.
A declaração gerou uma onda de críticas de figuras públicas e políticos conservadores. O enviado do governo Trump e diretor do Kennedy Center, Rich Grennell, sugeriu que Hess “se mudasse para o Canadá” se não tivesse orgulho de usar o uniforme dos EUA. O deputado republicano Tim Burchett disse que o atleta deveria “ficar quieto e ir brincar na neve”.
O youtuber e boxeador Jake Paul também criticou o esquiador, assim como outras figuras conservadoras, entre elas o ex-quarterback da NFL Brett Favre, o ator Rob Schneider e o deputado Byron Donalds.
Outros atletas americanos também relataram ataques após falarem sobre temas políticos e sociais. A patinadora artística Amber Glenn, campeã nacional e primeira mulher abertamente LGBTQ a competir em uma Olimpíada de Inverno, afirmou que reduziria o uso das redes sociais após receber ameaças por comentar os impactos do cenário político na comunidade LGBTQ.
“Usei minha liberdade de expressão para falar como me sinto e agora estou recebendo uma quantidade assustadora de ódio e ameaças”, escreveu.
Glenn disse que, embora muitos peçam para que atletas “fiquem apenas no esporte”, a política afeta a vida de todos. Já a esquiadora alpina Mikaela Shiffrin adotou um tom mais conciliador ao responder sobre a tensão política, citando Nelson Mandela e defendendo valores como inclusão, diversidade e respeito.
O Comitê Olímpico e Paralímpico dos EUA informou, em nota, que está ciente do aumento de mensagens abusivas contra os atletas e que está trabalhando para remover conteúdos e encaminhar ameaças às autoridades.
Fonte: CBS