Bad Bunny no Super Bowl: os momentos do show que irritaram Trump

Com Ricky Martin e Lady Gaga, apresentação exaltou a cultura latina, fez críticas sociais e virou alvo do presidente dos EUA

Por Lara Barth

Capa do álbum vencedor do grammy DTMF

Bad Bunny comandou o show do intervalo do Super Bowl no domingo (8) e transformou o palco do evento mais assistido da TV americana em uma celebração explícita da cultura latino-americana — especialmente a porto-riquenha. Com participações de Lady Gaga e Ricky Martin, a apresentação foi carregada de simbolismos, referências históricas e mensagens políticas.

O presidente Donald Trump reagiu nas redes sociais e classificou o espetáculo como “repugnante” e “uma afronta à grandeza da América”.

Porto Rico como cenário

Quase todo o show foi conduzido em espanhol, com pouquíssima tradução para o inglês. Logo na abertura, apareceu no telão a frase “el espectáculo de medio tiempo del Súper Tazón”. Em seguida, o público foi levado a uma ambientação típica de Porto Rico, com trabalhadores no campo, homens jogando dominó e cenas do cotidiano.

“Meu nome é Benito Antonio Martinez Ocasio, e se hoje estou aqui no Super Bowl 60, é porque nunca deixei de acreditar em mim. Você também deveria acreditar em você. Você vale mais do que imagina”, disse o cantor, em espanhol.

A “casita” e convidados latinos

Bad Bunny levou ao palco a “casita”, cenário tradicional de seus shows que representa uma casa porto-riquenha. Nela, estavam convidados como Cardi B, Karol G, Pedro Pascal e Jessica Alba — todos latinos ou descendentes.

As coreografias destacaram o “perreo”, dança sensual nascida em Porto Rico nos anos 80, semelhante ao rebolado do funk brasileiro.

Um casamento real no meio do show

Cerca de cinco minutos após o início da apresentação, o público assistiu à parte final de um casamento real. O casal havia convidado Bad Bunny para a cerimônia, mas ele sugeriu que participassem do show. O cantor foi testemunha e assinou a certidão no palco.

Lady Gaga e clima de festa

Lady Gaga entrou acompanhada da banda porto-riquenha Los Sobrinos, interpretando “Die With a Smile” como parte do clima de celebração. Em seguida, foi puxada para dançar com Bad Bunny ao som de “Baile Inolvidable”.

“Nuevayol” e a Nova York latina

Na sequência, Bad Bunny cantou “Nuevayol”, música que destaca a ligação histórica entre Porto Rico e Nova York. O cenário reproduzia as tradicionais bodegas latinas, com participação de Toñita, dona do Caribbean Social Club.

Foi nesse momento que o cantor entregou simbolicamente um Grammy a uma criança que o assistia pela TV.

É fake que Liam Ramos participou do show

Circulou nas redes sociais a informação de que a criança que recebeu o “Grammy” seria Liam Ramos, menino equatoriano de 5 anos detido pelo ICE. A informação é falsa.

O garoto que apareceu no show é o ator mirim Lincoln Fox, de cinco anos. Ele publicou em seu Instagram um vídeo da participação e se descreve como “meio argentino, meio egípcio”. A informação foi desmentida por veículos da imprensa americana e por um assessor de Bad Bunny à rádio NPR.

Ricky Martin e a crítica histórica

Ricky Martin surgiu no palco cantando “Lo que le pasó a Hawaii”, música que usa a história do Havaí como metáfora para falar sobre Porto Rico e os efeitos do imperialismo americano na identidade cultural.

A bandeira e o “apagão”

Em um dos momentos mais simbólicos, Bad Bunny apareceu com a bandeira de Porto Rico em tom azul-claro, associada ao movimento pró-independência. Cantando “El Apagón”, ele subiu em um poste e provocou um “apagão” no estádio — referência à crise elétrica da ilha após o furacão Maria, em 2017.

“Juntos, somos a América”

No encerramento, o cantor segurou uma bola com a frase “Juntos, somos a América”, enquanto dançarinos exibiam bandeiras de países do continente. Em inglês, disse “God bless America” e, em seguida, listou em espanhol todos os países americanos, do Sul ao Norte — deixando Porto Rico por último.

No telão, a frase final: “A única coisa mais poderosa que o ódio é o amor”.

Fonte: G1