Novas provas no caso Marimar Martinez mostram que agente da Patrulha de Fronteira fez piada após tiros e foi elogiado por comandante
Vídeos, mensagens e e-mails revelados pela Justiça contradizem versão oficial e indicam conduta questionável após mulher ser baleada cinco vezes em Chicago
O agente da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP) que atirou cinco vezes contra Marimar Martinez, em Chicago, no ano passado, foi colocado em licença administrativa após a divulgação de novas provas do caso. Vídeos, mensagens de texto e e-mails revelados por ordem judicial trouxeram novos detalhes sobre o que ocorreu antes e depois do disparo.
As evidências mostram que o agente Charles Exum fez comentários em tom de deboche logo após o tiroteio e recebeu elogios de colegas e do então comandante da Patrulha de Fronteira, Gregory Bovino.
Martinez, de 30 anos, foi baleada em 4 de outubro de 2025, durante uma operação de fiscalização migratória intensificada na região de Chicago. Na época, o Departamento de Segurança Interna (DHS) alegou que ela teria perseguido e batido seu carro contra o veículo dos agentes durante um protesto anti-ICE. Quase dois meses depois, promotores retiraram as acusações de agressão contra ela. O próprio governo admitiu em juízo que Martinez não havia atingido o carro dos agentes.
Imagens de câmeras corporais divulgadas nesta semana mostram os agentes dizendo que estavam “cercados” antes da colisão. “É hora de ficar agressivo e sair dessa p****”, diz Exum no vídeo. No entanto, imagens de vigilância mostram que não havia nenhum carro bloqueando a frente do veículo dele naquele momento.
Outro trecho do vídeo mostra Exum virando o volante deliberadamente para a esquerda, em direção ao carro de Martinez — o que contraria a versão inicial apresentada por ele ao FBI de que ela teria provocado a colisão.
A gravação não mostra o momento exato dos disparos, pois a câmera corporal do agente não estava ligada na hora. Ainda assim, ele é ouvido depois dizendo: “Não atiraram contra a gente. Nós é que atiramos”.
Mensagens de texto enviadas por Exum logo após o tiroteio também vieram a público. Em uma delas, ele escreveu a colegas: “acontece m****”. Em outra, disse: “Tenho uma emenda para acrescentar à minha versão. Disparei cinco tiros e ela tinha sete buracos. Coloquem isso no livro de vocês, rapazes”. A resposta foi: “boa pontaria, rs”. Ele respondeu: “gracias señor”.
Em um e-mail enviado poucas horas depois do tiroteio, Bovino elogiou Exum por seu “excelente serviço”, enquanto Martinez ainda estava hospitalizada se recuperando dos ferimentos.
Os advogados de Martinez acusam o governo de mentir sobre o caso, inclusive ao rotulá-la como “terrorista doméstica” e alegar que ela já teria divulgado dados pessoais de agentes — acusações para as quais não há qualquer prova. Martinez, assistente em uma escola Montessori, não tem antecedentes criminais.
O CBP confirmou que Exum foi colocado em licença administrativa, mas não informou quando isso ocorreu. A defesa de Martinez prepara um novo processo federal pedindo indenização de dezenas de milhões de dólares.
Fonte: CBS