Novo estudo aponta possíveis fatores de risco ligados a alergias alimentares na infância
Pesquisa com mais de 2,7 milhões de crianças indica que até 1 em cada 20 pode desenvolver alergia alimentar até os 6 anos
Um novo estudo publicado na revista JAMA Pediatrics investigou fatores que podem estar associados ao desenvolvimento de alergias alimentares na infância e concluiu que até 1 em cada 20 crianças pode apresentar o problema até os 6 anos de idade.
A pesquisa analisou 190 estudos envolvendo mais de 2,7 milhões de crianças em 40 países. Nos Estados Unidos, os dados indicam que cerca de 5% das crianças já tinham alguma alergia alimentar nessa faixa etária.
Entre os principais fatores de risco identificados estão condições alérgicas precoces, como asma e eczema; uso de antibióticos no primeiro mês de vida; pais com alergias alimentares ou relacionadas; introdução tardia de alimentos como ovo, peixe, frutas e amendoim; crianças que se identificam como negras; e filhos de pais que migraram antes do nascimento.
Fatores considerados secundários incluem sexo masculino, nascimento por cesariana, ser o primogênito e algumas diferenças genéticas relacionadas à barreira da pele.
Segundo a biblioteca médica StatPearls, os alimentos que mais causam alergia em bebês e crianças são leite, ovos, amendoim e frutos do mar.
A correspondente médica-chefe da ABC News, Dra. Tara Narula, que não participou do estudo, explicou que as alergias alimentares não têm apenas origem genética. “É algo multifatorial. Envolve genética, ambiente, microbioma e, possivelmente, a saúde da pele. A combinação de tudo isso pode estar por trás do desenvolvimento das alergias”, afirmou.
Apesar das associações encontradas, o estudo não estabelece relação direta de causa e efeito, e os especialistas ainda não conseguem determinar como esses fatores atuam em conjunto.
Os autores também alertam para limitações da pesquisa, já que a maioria dos dados veio de países de alta renda, o que dificulta a generalização dos resultados. Além disso, nem todos os estudos analisados confirmaram as alergias com testes clínicos de provocação alimentar.
Um ponto recorrente destacado por especialistas, segundo Narula, é a importância da introdução precoce de alimentos potencialmente alergênicos entre 4 e 6 meses de vida, quando os bebês começam a ingerir sólidos, como forma de ajudar na prevenção de alergias alimentares.
Fonte: ABC