Au pair brasileira envolvida em duplo assassinato na Virgínia é condenada a 10 anos de prisão

Juliana Peres Magalhães fez acordo com a promotoria, confessou participação no crime e testemunhou contra o ex-agente do IRS

Por Lara Barth

Juliana Peres trabalhava como baba nos EUA

A brasileira Juliana Peres Magalhães, de 25 anos, au pair na Virgínia, foi condenada a 10 anos de prisão por participação em um duplo homicídio ocorrido em fevereiro de 2023, no norte do estado. A sentença, considerada a pena máxima para a acusação de homicídio culposo (manslaughter) à qual ela se declarou culpada, foi determinada pela juíza Penney Azcarate, do condado de Fairfax, na sexta-feira.

Juliana firmou um acordo com a promotoria em 2024, no qual admitiu envolvimento no crime e concordou em testemunhar contra o ex-agente do IRS Brendan Banfield, com quem mantinha um relacionamento extraconjugal. Segundo as investigações, os dois teriam planejado o assassinato da esposa dele, Christine Banfield, de 37 anos.

Parte do plano envolveu a criação de um perfil falso nas redes sociais, no qual Juliana e Banfield se passaram por Christine em um site de fetiches sexuais. O objetivo era atrair Joseph Ryan, de 39 anos, para a casa do casal sob o pretexto de encenar uma fantasia sexual violenta. Ryan acabou sendo morto a tiros dentro da residência.

Inicialmente, Juliana e Banfield disseram à polícia que encontraram Ryan esfaqueando Christine e que atiraram nele em legítima defesa. Posteriormente, as investigações apontaram que Ryan havia sido atraído para a armadilha como parte do plano do casal.

Em outubro de 2023, Juliana foi acusada de assassinato em segundo grau pela morte de Ryan, já que admitiu ter disparado o tiro fatal. Um ano depois, aceitou o acordo que reduziu a acusação para homicídio culposo, em troca de colaboração com a Justiça.

Durante o julgamento de Banfield, em janeiro, Juliana prestou depoimento por quase quatro horas, confirmando a versão dos promotores. Banfield foi condenado por todas as acusações, incluindo dois homicídios qualificados. Ele pode pegar prisão perpétua sem direito a liberdade condicional. A sentença dele está marcada para 8 de maio.

Na audiência, familiares de Joseph Ryan fizeram declarações emocionadas sobre o impacto do crime. A mãe da vítima contou que mantém a árvore de Natal montada o ano inteiro, ao lado das cinzas do filho.

Ao anunciar a sentença, a juíza afirmou que as ações de Juliana foram “deliberadas, egoístas e demonstraram profundo desrespeito pela vida humana”.

Fonte: ABC