Suprema Corte de Washington autoriza julgamento de ação contra Amazon por mortes ligadas a produto químico

Famílias acusam empresa de vender nitrito de sódio em alta concentração, apesar de saber do risco de uso em suicídios

Por Lara Barth

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A Suprema Corte do Estado de Washington decidiu que pode ir a julgamento a ação movida contra a Amazon por supostamente vender, em sua plataforma, nitrito de sódio em alta concentração, substância associada ao suicídio de adolescentes e adultos.

Quatro famílias alegam que seus parentes morreram após ingerir nitrito de sódio comprado no site da varejista. Segundo o processo, a Amazon teria comercializado versões do produto com 98% de pureza ou mais, mesmo sabendo que a substância vinha sendo utilizada em suicídios. As famílias também afirmam que os produtos não exibiam alertas adequados sobre os riscos.

O nitrito de sódio é usado legalmente na conservação de carnes e no tratamento de metais, geralmente em concentrações mais baixas. De acordo com os advogados, as vítimas adquiriram a substância por meio da plataforma de e-commerce da empresa.

A decisão da Suprema Corte reverte entendimento anterior de um tribunal de apelações, que havia considerado que a Amazon não poderia ser responsabilizada porque as mortes foram classificadas como suicídio. Para os ministros, o argumento de que o produto pode ter sido “mal utilizado” não elimina o dever de cuidado da empresa.

O escritório C.A. Goldberg, que representa as famílias, afirma atuar em nome de 28 famílias afetadas por casos semelhantes. A advogada Carrie Goldberg declarou anteriormente que a Amazon já saberia desde 2018 que menores de idade compravam nitrito de sódio pelo site e que fóruns online indicavam a plataforma — apelidada de “selva” — como local para adquirir a substância.

Em nota à CBS News, a Amazon afirmou estar comprometida com uma “experiência de compra segura” e disse exigir que vendedores cumpram as leis aplicáveis. A empresa declarou ainda que o nitrito de sódio em alta concentração não é destinado ao consumo direto e pode ser mal utilizado. Em novembro do ano passado, a Amazon passou a proibir a venda do produto em concentrações superiores a 10%.

O caso envolve especificamente produtos das empresas Loudwolf e HiMedia, segundo a decisão judicial. Outras varejistas, como eBay, Walmart e Etsy, também teriam retirado o produto de seus sites anos atrás, após identificarem uso indevido.

Fonte: CBS