Quatro cães militares morreram em instalações consideradas inadequadas, aponta órgão de fiscalização do Pentágono
Relatório cita canis envelhecidos, mofo e falta de cuidadores; Força Aérea contesta negligência
Quatro cães militares de trabalho morreram entre os anos fiscais de 2021 e 2023 após serem mantidos e treinados em “instalações de canil envelhecidas e insatisfatórias”, segundo relatório divulgado na semana passada pelo inspetor-geral do Departamento de Defesa dos Estados Unidos. A Força Aérea, no entanto, contesta que as mortes tenham sido causadas por negligência.
De acordo com um porta-voz da Força Aérea, as necropsias indicaram que um dos cães morreu de broncopneumonia grave e outros três de pneumonia causada por *Escherichia coli* patogênica extraintestinal. Segundo ele, os laudos não atribuíram as mortes a negligência.
Ainda assim, a corporação concordou com a principal recomendação do relatório: aumentar o número de cuidadores e desenvolver um plano para modernizar todos os canis.
Problemas estruturais e falta de atividade
O inspetor-geral constatou que o programa de cães militares nem sempre protegeu adequadamente os animais fora do status de treinamento — ou seja, aqueles que não aguardavam deslocamento, estavam sob cuidados médicos ou haviam sido retirados do treinamento. Segundo o documento, esses cães não foram consistentemente protegidos de condições climáticas extremas, problemas de mofo nos canis e falhas na gestão de áreas de quarentena e isolamento.
Em visitas a 12 instalações militares, incluindo Fort Bragg, na Carolina do Norte, investigadores encontraram mofo em luminárias, forros e salas de equipamentos. Um dos prédios chegou a ser fechado devido ao crescimento de mofo.
Na Base Conjunta de San Antonio-Lackland, no Texas — onde todos os cães passam por treinamento inicial — cerca de 200 animais não recebiam o mínimo exigido de cinco horas diárias de atividade física, social e cognitiva. Em vez disso, eram passeados por cerca de 10 minutos, quatro vezes por semana, ou menos.
Investigadores relataram comportamentos como giros contínuos, saltos repetitivos, mastigação de baldes metálicos e vocalização excessiva, além de sinais físicos de estresse térmico, como respiração acelerada e língua inchada.
O esquadrão responsável afirmou que não dispunha de pessoal suficiente, embora tenha tentado oferecer estímulos como brinquedos infláveis, audiolivros, música e máquinas de bolhas aromáticas — medidas consideradas insuficientes pelos auditores.
Recomendações e mudanças
O relatório recomenda que a secretária da Força Aérea reduza o número de cães no esquadrão de treinamento até que haja cuidadores suficientes e elabore um plano de modernização das instalações para atender aos padrões atuais do Departamento de Defesa.
Em resposta, a Força Aérea informou que está autorizando a contratação de mais cuidadores e que reduzirá o número de cães fora do status de treinamento.
Atualmente, o Pentágono conta com mais de 2.200 equipes de cães de trabalho distribuídas em 182 locais ao redor do mundo, além de fornecer animais a agências estaduais e federais.
Fonte: CBS
