Obesidade infantil atinge nível recorde nos EUA, enquanto taxa entre adultos pode estar desacelerando, aponta CDC

Mais de 1 em cada 5 crianças e adolescentes vivem com obesidade; entre adultos, índice pode ter começado a se estabilizar

Por Lara Barth

Obesidade é fator de risco para diversas complicações de saúde.

As taxas de obesidade entre crianças e adolescentes nos Estados Unidos atingiram o nível mais alto já registrado, enquanto entre adultos o avanço pode estar começando a desacelerar. Os dados constam em dois relatórios divulgados nesta quarta-feira pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC).

Os pesquisadores analisaram altura e peso medidos na Pesquisa Nacional de Exame de Saúde e Nutrição (NHANES), que acompanha tendências há mais de 60 anos.

Entre agosto de 2021 e agosto de 2023, 40,3% dos adultos com 20 anos ou mais foram classificados como obesos, incluindo 9,7% com obesidade grave. Outros 31,7% estavam com sobrepeso. Em comparação, entre 1988 e 1994, 22,9% dos adultos eram obesos.

Apesar disso, o índice atual é inferior ao registrado em 2017-2018, quando 42,4% dos adultos foram considerados obesos — o maior patamar da história. Especialistas apontam que essa leve queda pode indicar uma estabilização.

Segundo o epidemiologista John Brownstein, do Hospital Infantil de Boston, políticas públicas, maior conscientização sobre hábitos saudáveis e o uso de medicamentos como os agonistas de GLP-1 — entre eles Ozempic, Wegovy e Mounjaro — podem estar contribuindo para essa possível desaceleração. Esses remédios ajudam a controlar o diabetes tipo 2 e também promovem saciedade, auxiliando na perda de peso.

Ainda assim, especialistas alertam que é cedo para afirmar se a queda representa uma tendência duradoura ou apenas uma variação estatística.

Situação é mais preocupante entre crianças

O cenário é mais alarmante entre jovens. O relatório mostra que 21,1% das crianças e adolescentes de 2 a 19 anos vivem com obesidade — mais de 1 em cada 5 — um salto expressivo em relação aos 5,2% registrados entre 1971 e 1974.

Além disso, 7% das crianças apresentam obesidade grave, contra apenas 1% há cinco décadas.

Entre adolescentes de 12 a 19 anos, quase 23% são considerados obesos, o que, segundo especialistas, indica necessidade de tratamento intensivo, incluindo mudanças no estilo de vida, medicamentos e, em alguns casos, cirurgia bariátrica.

Para crianças de 2 a 5 anos, a taxa atual é de 14,9%. Embora tenha havido uma breve queda no início da década passada, especialistas afirmam que a redução foi temporária e que a tendência geral continua de alta.

Médicos defendem intervenções precoces, com foco em alimentação saudável, atividade física e, para adolescentes, aplicação mais ampla das diretrizes clínicas que incluem terapias medicamentosas.

Fonte: ABC