Governo Trump tenta enviar agentes do ICE para aeroportos em meio à paralisação e enfrenta desafios operacionais

Plano improvisado para suprir falta de agentes da TSA gera críticas e dúvidas sobre preparo e impacto na segurança aérea

Por Lara Barth

Duas mortes foram semana passada.

O governo dos Estados Unidos tenta colocar em prática uma medida emergencial para enviar agentes de imigração aos aeroportos, após determinação do presidente Donald Trump em meio à paralisação parcial do governo federal.

A proposta prevê o uso de agentes do Immigration and Customs Enforcement (ICE) para reforçar a segurança aeroportuária diante da escassez de funcionários da Administração de Segurança nos Transportes (TSA), que enfrenta demissões e faltas devido à ausência de pagamento. Segundo dados oficiais, mais de 3.200 agentes faltaram ao trabalho em um único dia, enquanto mais de 400 deixaram a agência desde o início da crise.

A ordem presidencial, anunciada nas redes sociais, pegou autoridades de surpresa. Fontes ouvidas pela imprensa afirmam que ainda não há um plano claro de implementação. Apesar disso, o governo trabalha para mobilizar agentes já a partir desta semana, com previsão inicial de atuação em cerca de 14 aeroportos.

O responsável pela política de fronteiras da Casa Branca, Tom Homan, indicou que os agentes do ICE devem atuar principalmente na segurança de áreas externas, controle de acesso e verificação de documentos, liberando os agentes da TSA para funções mais técnicas, como inspeção de passageiros e bagagens.

Já o secretário de Transportes, Sean Duffy, defendeu a medida, afirmando que os agentes de imigração possuem treinamento suficiente para auxiliar nas operações, inclusive na gestão de filas e no uso de equipamentos semelhantes aos utilizados na fronteira sul.

No entanto, especialistas e entidades do setor criticam a iniciativa. Um ex-alto funcionário do ICE destacou que os agentes não têm treinamento específico para operar sistemas de segurança aeroportuária. O sindicato dos comissários de bordo também alertou que a presença do ICE pode gerar conflitos de função e desviar o foco da segurança contra ameaças terroristas.

Além disso, há preocupação com a possibilidade de ações migratórias dentro dos aeroportos, já que agentes do ICE têm autoridade para realizar prisões de pessoas em situação irregular em qualquer local do país.

A medida ocorre em meio a um impasse político: democratas no Congresso se recusam a aprovar o financiamento do Departamento de Segurança Interna sem reformas nas políticas migratórias, enquanto o governo acusa a oposição de agravar a crise nos aeroportos.

O cenário tende a piorar nas próximas semanas, com o aumento do fluxo de passageiros durante o período de férias de primavera e os impactos indiretos da guerra com o Irã, que já pressiona os preços do petróleo e pode elevar os custos das companhias aéreas.

Fonte: CBS/ABC