Júri considera Meta e YouTube negligentes em caso histórico sobre vício em redes sociais nos EUA

Empresas terão que pagar US$ 3 milhões após decisão que pode influenciar milhares de processos semelhantes

Por Lara Barth

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Um júri em Los Angeles decidiu que as empresas Meta e YouTube foram negligentes em um caso considerado histórico sobre o impacto das redes sociais na saúde mental de jovens. A decisão foi anunciada após semanas de julgamento e concluiu que as plataformas contribuíram para danos sofridos por uma jovem que, segundo a acusação, desenvolveu vício em redes sociais ainda menor de idade.

O processo gira em torno de uma mulher de 20 anos, identificada como KGM, cujos advogados afirmam que o uso precoce das plataformas agravou quadros de depressão e pensamentos suicidas. Os jurados entenderam que houve falha no design e na operação dos serviços, além da ausência de alertas adequados sobre os riscos.

Meta e YouTube foram condenadas a pagar, juntas, US$ 3 milhões em indenizações — sendo 70% de responsabilidade da Meta e 30% do YouTube. O júri também indicou que danos punitivos podem ser aplicados em uma segunda fase do julgamento, o que pode elevar significativamente o valor final.

O veredito foi alcançado após cerca de 44 horas de deliberação ao longo de nove dias. Nem todas as decisões foram unânimes, o que é permitido em julgamentos civis nos Estados Unidos.

As empresas contestaram a decisão. A Meta afirmou que discorda do veredito e estuda medidas legais. Durante o julgamento, tanto a defesa quanto a acusação destacaram o histórico pessoal da jovem, incluindo dificuldades familiares e problemas de saúde mental anteriores ao uso das redes.

Advogados da acusação argumentaram que as plataformas exploraram vulnerabilidades da adolescente, utilizando recursos potencialmente viciantes. Eles também apresentaram documentos internos que indicariam conhecimento das empresas sobre esses riscos.

Já a defesa sustentou que a jovem utilizava as redes como forma de lidar com problemas preexistentes, e não como causa principal deles. O YouTube também argumentou que não se enquadra como rede social tradicional e que oferece ferramentas de controle de uso e segurança.

O caso é considerado um “teste” jurídico e pode influenciar milhares de ações semelhantes contra empresas de tecnologia nos Estados Unidos. Fora do tribunal, famílias que alegam danos causados pelas redes sociais celebraram a decisão, classificando-a como um passo importante para responsabilização do setor.

Fonte: NBC