Suprema Corte dos EUA analisa decreto de Trump que tenta restringir cidadania por nascimento
Caso pode redefinir interpretação da 14ª Emenda e afetar milhões de pessoas; decisão é esperada até meados de 2026
A Suprema Corte dos Estados Unidos deve analisar nesta semana a legalidade de um decreto do presidente Donald Trump que busca limitar o direito à cidadania automática para crianças nascidas no país. O caso é considerado um dos mais importantes do atual mandato e coloca em debate um dos pilares históricos da Constituição americana.
O decreto, assinado no primeiro dia do novo governo, determina que filhos de imigrantes em situação irregular ou com status temporário não tenham direito automático à cidadania americana. A medida também orienta órgãos federais a não emitirem documentos que reconheçam essas crianças como cidadãs. No entanto, a implementação da ordem está suspensa após decisões de tribunais inferiores.
O principal ponto em discussão é se a medida viola a chamada “Cláusula de Cidadania” da 14ª Emenda, que estabelece que todas as pessoas nascidas nos Estados Unidos e sujeitas à sua jurisdição são cidadãs. O governo Trump argumenta que essa regra não deve se aplicar a filhos de estrangeiros sem vínculo permanente com o país.
Por outro lado, entidades como a União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU) afirmam que a interpretação do governo rompe com mais de um século de precedentes legais. Elas citam, inclusive, a decisão histórica de 1898 no caso *Wong Kim Ark*, que consolidou o direito à cidadania por nascimento, independentemente da origem dos pais, com poucas exceções.
A ação chegou à Suprema Corte após uma série de disputas judiciais. Tribunais inferiores bloquearam o decreto, levando o governo a recorrer diretamente à mais alta instância do Judiciário. Agora, os ministros deverão decidir se a ordem é constitucional ou se viola tanto a Constituição quanto leis federais já estabelecidas.
A decisão pode ter efeitos amplos. Caso o decreto seja validado, o governo poderá negar cidadania a filhos de imigrantes sem status permanente, alterando profundamente a política migratória do país. Já uma eventual rejeição representaria mais uma derrota significativa para Trump na Suprema Corte.
O veredicto é esperado até o fim de junho ou início de julho.
Fonte: CBS